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Com queda no delivery, negócios que só fazem entregas sentem o baque

·4 min de leitura
*ARQUIVO* SAO PAULO,SP - 11/09/2021 - Motoboy do ifood com imagem no bau de entregas criticando preço da gasolina em São Paulo. (Foto: Fernando Canzian / Follhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO,SP - 11/09/2021 - Motoboy do ifood com imagem no bau de entregas criticando preço da gasolina em São Paulo. (Foto: Fernando Canzian / Follhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de um grande crescimento das entregas em domicílio na pandemia, o delivery vem registrando uma queda gradativa nos pedidos, que chega a 50% em alguns casos.

Segundo Helena Andrade, gestora de projetos do Sebrae-SP, o fenômeno pode ser classificado como uma acomodação do mercado.

"Durante a pandemia, observamos um boom. É natural que, com a retomada do atendimento presencial, as pessoas voltem a sair de casa, fazendo com que o delivery retorne gradativamente ao patamar anterior. Por isso, empresas focadas 100% em entregas já estão sentindo o baque."

É o caso da padeira Patcha Pietrobelli, 37, fundadora da Pão da Patcha. Agosto, segundo ela, foi o mês mais fraco de vendas em 2021. A redução foi de 20%. "Meus clientes assíduos voltaram a trabalhar e já não estão disponíveis para receber as entregas", explica.

A queda do poder aquisitivo da clientela e a alta do preço dos ingredientes e combustíveis também não estão ajudando. Em outubro, a empreendedora teve de reajustar em 15% o valor do frete e os preços dos pães, que passaram a custar entre R$ 20 e R$ 31.

Diante do novo cenário, a empreendedora começou a repensar o modelo do negócio. Entre outras iniciativas, ela pretende buscar novos consumidores, como empresas de eventos, para escoar as duas fornadas semanais, que somam entre 60 e 100 pães.

"Vou criar um perfil no Linkedin para alcançar o mercado corporativo, criar novos produtos, como o panetone para o Natal, e incrementar a comunicação para aumentar a venda para o dia a dia. Muitos padeiros artesanais se lançaram na pandemia, preciso ressaltar os diferenciais dos meus pães."

Reformular a comunicação com a clientela é também uma das estratégias do chef de cozinha Roberto Ravioli, 68. Depois de fechar três restaurantes durante a pandemia, ele recomeçou aos poucos vendendo pelo Instagram. Lançou um pão de linguiça, aumentou a linha com pratos italianos e acabou descobrindo um novo filão.

Hoje, Ravioli recebe os pedidos por aplicativo e os despacha de duas dark kitchens (cozinhas voltadas à entrega, que não recebem clientes), alugadas por R$ 4.200 mensais cada uma. Enquanto os salões estiveram fechados, o negócio prosperou, ele afirma.

"A concorrência era grande, mas tinha mercado para todo mundo. Cheguei a receber pedido de R$ 5.000 para uma única pessoa. Confinados, os clientes encomendavam pratos para a semana ou a quinzena. Mandei comida até para o Paraná", lembra.

Aí veio a reabertura de bares e restaurantes, seguida de uma queda de 50% nas vendas. "Meus maiores concorrentes, hoje, são os restaurantes que reabriram. As pessoas se cansaram, querem sair e, obviamente, estão pedindo menos delivery."

Para driblar a crise, Ravioli diz que vai apostar na venda de pratos congelados a hotéis, supermercados e restaurantes. Também contratou uma empresa para profissionalizar a gestão de suas redes sociais e reformular o design do cardápio e das embalagens.

Se ter um ponto físico não passa pela cabeça de Ravioli, esse é o plano do empresário Ipe Moraes, 55, para o delivery Arroz Malandro, lançado em abril de 2021.

Sócio de três restaurantes –a Adega Santiago, a Taberna 474 e a Casa Europa–, Moraes já vinha experimentando o crescimento gradativo das entregas em domicílio desde o ano passado.

"Mesmo na reabertura do segundo semestre de 2020, não houve queda na procura, porque ninguém estava vacinado e as pessoas continuaram com medo de sair", recorda.

Quando o governo de São Paulo determinou novo fechamento dos bares e restaurantes, em março de 2021, Moraes achou que era hora de lançar a nova marca, que emplacou de imediato com receitas à base de arroz. De cara, atingiu os 600 pedidos mensais, com tíquete médio de R$ 127.

O aumento da frequência nos restaurantes reabertos já causou uma queda de 20% no número de pedidos. A saída, na opinião dele, é partir para um ponto físico e abrir o quarto restaurante do grupo.

"A grande questão da comida só de delivery é a experiência, que a gente não consegue proporcionar. Fica difícil se relacionar com o cliente para garantir vínculo e fidelização."

A decisão de abrir um estabelecimento é a mais arriscada para quem está enfrentando dificuldades para manter as vendas no delivery, afirma Helena Andrade, do Sebrae-SP.

"No ponto físico, os custos são bem maiores, ou seja, o empreendedor é obrigado a abrir as portas já aumentando os preços. Antes de tomar essa decisão, é fundamental fazer um plano de negócios."

COMO IMPULSIONAR O DELIVERY

Invista no marketing digital para captar novos clientes. Reformule o plano de comunicação para as redes sociais e faça campanhas patrocinadas, para aumentar seu alcance.

Crie promoções para os dias mais fracos em vendas, oferecendo combos a preços especiais ou descontos.

Não dependa somente dos aplicativos de entrega, pois eles não permitem trabalhar o relacionamento com a clientela. Sempre que possível, atraia o público para o atendimento próprio.

Aposte em mimos que façam o cliente se sentir especial, como bilhetes escritos à mão e pequenos brindes. "Gestos assim geram divulgação gratuita e espontânea, porque as pessoas fotografam e postam nas redes sociais", diz Andrade.

Inove nos canais de exposição de seu produto ou serviço. Parcerias com estabelecimentos de outros setores, que atraiam o mesmo perfil de consumidor, podem ser eficientes. "Marmitarias especializadas em comida para crianças podem fazer divulgação em escolas infantis, por exemplo. Assim, todos ganham", afirma a consultora.

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