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Com que roupa eu não vou: livro aborda a desigualdade de gênero a partir do que a mulher veste no trabalho

·2 min de leitura

O que está por trás da roupa que todo dia uma mulher escolhe para sair de casa e ir trabalhar? Mais que uma questão de gosto, a advogada especializada em gênero Mayra Cotta e a consultora de moda Thais Farage mostram, em seu livro "Mulher, roupa, trabalho: como se veste a desigualdade de gênero”" (Ed. Paralela), lançado no fim de outubro, que a motivação pode se esconder atrás de inseguranças com o julgamento e o preconceito. O entendimento sobre um decote ou saia mais curta vai além do quesito "informalidade": traz junto mensagens de vulgaridade e diosponibilidade para o assédio ou importunação sexual, na rua ou no ambiente de trabalho.

- A sensação de inadequação da mulher ao espaço de trabalho é permanente, e não tem a ver com a roupa e sim com um mundo que não foi feito para ser ocupado por mulheres, mas que ocupamos por insistência e teimosia. Assim, por exemplo, o terno - a roupa "legítima" do trabalho - é adaptado para as vestes femininas, estão ali elementos seus, no corte que não marca o corpo, nas cores sóbrias... É preciso mimetizar o masculino para passar uma ideia de seriedade e competência - diz Mayra Cotta.

Na obra, as autoras voltam ao início da Modernidade e percorrem os dois últimos séculos para traçar paralelos entre episódios culturais e políticos e a imposição de regras do vestuário feminino no mercado de trabalho. Historicamente, Mayra observa como a mulher passou a existir primeiramente "como um corpo", para ser julgado e comentado, e por que tal preocupação jamais ocorreria para um homem branco. Assim, quanto mais se aproxima do que é entendido como feminino, seja uma roupa mais marcada ou justa, mais a mulher vai sendo entendida "como um corpo", e esta objetificação traz junto a desculpa para o exercício de discriminação e violências, como a sexual.

- É preciso ponderar que violência sexual não tem a ver com desejo sexual. Se um chefe assedia uma profissional, não é porque a desejou e não conseguiu se controlar, mas porque sabe que exerce poder sobre ela e o usa de forma criminosa. Como advogada, lemro de um caso em que a vítima, ao levar a queixa de uma tentativa de estupro em seu trabalho, foi indagada por seu superior sobre qual roupa usava. As empresas, em geral, não estão preparadas para este tipo de situação, infelizmente, e a gente ainda vê este tipo de coisa acontecendo - conta, lembrando que já há jurisprudência no Supremo Tribunal Federal (STF) condenando casos de discriminação estética no trabalho.

- É crime ter regras discriminatórias por roupa, cabelo, gênero, raça... A emrpesa até pode ter regras de vestuário, mas condizentes com a função executada no trabalho. Não se pode exigir um salto alto, por exemplo - explica.

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