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Com programas do governo, estoque de crédito cresce 15,5% e chega a R$ 4 trilhões em 2020

LARISSA GARCIA
·4 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O saldo de crédito chegou a R$ 4 trilhões pela primeira vez na história, impulsionado por programas do governo para crédito às pequenas e médias empresas em meio à pandemia do novo coronavírus. O montante atingiu o maior percentual em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) da série, iniciada em julho de 1995, com 54,2%. Em relação a 2019, houve acréscimo de 7,2 pontos percentuais. Com isso, o crescimento do estoque de financiamentos cresceu 15,5% no ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (28). "Tivemos um ano marcado pela pandemia, com recessão, e um conjunto amplo de medidas governamentais para combater a crise, o que gerou crescimento no mercado de crédito. No período, houve maior demanda por empréstimos", explica o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha. No fim de 2019, o montante emprestado pelo sistema financeiro era de R$ 3,47 trilhões. "A expansão do crédito no ano foi influenciada pelas contratações destinadas a empresas de menor porte, devido aos programas de estímulo ao crédito lançados no segundo semestre para combater os efeitos da pandemia", diz nota do BC. Normalmente, em momentos de crise econômica o mercado de crédito tende a se contrair, já que o risco de calote é maior. Durante a pandemia, no entanto, o governo criou linhas emergenciais de crédito para socorrer empresas, como o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). A maior parte desses programas se encerraram em 2020 e não serão prorrogados para este ano. A carteira de crédito para micro, pequenas e médias empresas cresceu 31,6% em 2020. Nas grandes empresas, que contrataram mais empréstimos nos três primeiros meses da pandemia, o saldo aumentou 16% no ano. Além disso, o BC fez medidas para aumentar a liquidez (recursos disponíveis) nos bancos e permitir maior oferta de crédito. O crédito às empresas atingiu R$ 1,8 trilhão, alta anual de 21,8%. Em 2019, houve contração de 0,1% no segmento. Já o estoque emprestado às famílias somaram R$ 2,2 trilhões, crescimento de 10,9%. No ano, as linhas de capital de giro, uma das mais importantes para empresas, tiveram aumento de 46,3%. Em 2019, o crescimento foi de 4,8%. As linhas subsidiadas pelo governo estão na rubrica "Outros" nos dados do BC, que apresentou alta de 151,1% no saldo em 2020. As linhas de capital de giro de curto prazo, utilizadas pelas grandes empresas no início da pandemia, que já tinham o crédito pré-aprovado, aumentaram 119,6% no período. Entre as famílias, o saldo do crédito pessoal, incluindo consignado, cresceu 13,5%. Modalidades rotativas, mais ligadas a consumo e aperto financeiro, no entanto, diminuíram. O estoque do cheque especial fechou o ano com queda de 25,6%. O cartão de crédito rotativo (quando o cliente não paga a fatura integral) e parcelado também tiveram redução, de 14,6% e 8,5% respectivamente. Com as pessoas em casa e consumindo menos, além do auxílio emergencial e outras medidas, como saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), elas ficaram com mais recursos em mãos e puderam recorrer a linhas mais baratas. Rocha considera o crescimento do crédito positivo para a economia. “No Brasil, o percentual de crédito em relação ao PIB é baixo se compararmos com outros países. No próximo ano não teremos o mesmo ritmo de crescimento, mas o mercado de crédito ainda deve crescer”, disse. As concessões de crédito (novos empréstimos) cresceram 5,2% em 2020. Os bancos emprestaram 10,8% a mais para empresas e 0,4% para famílias. O saldo engloba toda a carteira de crédito das instituições financeiras. Já as concessões consideram apenas os novos empréstimos tomados em determinado período. Renegociações, por exemplo, não são consideradas novas concessões, mas impactam no estoque. O técnico do BC explicou ainda que a base de comparação entre saldo e concessões é diferente. “No estoque, comparamos o fim do período. Nas concessões consideramos a média para tirar a variação, o que também pode dar discrepância. Além disso, o saldo também leva em conta as liquidações, não só as concessões, e os juros que incidem sobre a dívida”, afirmou. Em dezembro, os novos empréstimos somaram R$ 398 bilhões. Na série dessazonalizada (que retira peculiaridades do período, como número de dias úteis), houve retração de 9,8% no mês. A taxa média de juros das contratações terminou 2020 em 18,4% ao ano, queda de 4,2 pontos percentuais em relação a 2019. Em dezembro, houve redução de 0,3 ponto. O spread –diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que eles cobram em empréstimos– ficou em 14,5 pontos, redução de 3,3 pontos no ano. A inadimplência ficou em 2,1% em dezembro, menor valor da série, com redução de 0,1 ponto no mês e 0,8 ponto no ano. A avaliação é que o auxílio emergencial e renegociações das parcelas de empréstimos promovidas pelos bancos durante a pandemia evitaram os calotes.