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Com pandemia, fintechs ganham impulso entre a baixa renda

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Até 2019, segundo o Instituto Locomotiva, o Brasil contava com 45 milhões de desbancarizados. Ou seja: um em cada três brasileiros não mexia na conta bancária há mais de seis meses ou não tinha conta em banco. No entanto, com a chegada da pandemia e o pagamento do auxílio emergencial, essa configuração começou a mudar.

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Segundo estudo da Cinnecta, empresa de inteligência de dados, houve um aumento de 122% na adesão por serviços financeiros digitais na classe baixa entre fevereiro e agosto de 2020, no auge da quarentena da pandemia — aquelas pessoas que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recebem 0,75 salários mínimos.

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Essa movimentação é expressiva para a entrada da população brasileira em serviços e sistemas financeiros, já que 86% dos desbancarizados estão concentrados nas classes econômicas C, D e E, que é a parcela da população menos conectada e com maior informalidade de trabalho, novamente de acordo com dados do Instituto Locomotiva.

“Comportamentos e hábitos de consumo sofreram mudanças. O auxílio emergencial do governo impactou diretamente na evolução do cenário de inclusão das classes mais baixas ao sistema financeiro formal”, diz Ricardo Ferreira, diretor de operações da Cinnecta. “Essa entrada formal ao sistema financeiro abre um novo caminho com diferentes possibilidades”.

Surfando na onda

De olho nesse movimento, startups começam a surfar em um mar de possibilidades e apresentar resultados positivos, mesmo em época de incertezas da pandemia do novo coronavírus. A bxblue, por exemplo, é uma fintech de empréstimo consignado onde aposentados e pensionistas do INSS e servidores públicos podem comparar taxas de juros para seus empréstimos e já fazer a contratação dessas linhas. Já são 1 milhão de usuários.

bxblue aposta em empréstimos consignados para aposentados (Foto: Divulgação)
bxblue aposta em empréstimos consignados para aposentados (Foto: Divulgação)

Durante a pandemia, a fintech viu um salto expressivo no uso de seus serviços. “Mesmo com as dificuldades operacionais ocasionadas pela pandemia, crescemos 12 vezes em receita nos últimos 12 meses. Esse crescimento certamente está conectado ao aumento de procura por um serviço online para encontrar taxas baixas de juros para consignado”, contextualiza Roberto Braga, cofundador da bxblue, em entrevista ao Yahoo! Finanças.

Segundo ele, a maioria dos clientes aposentados ou pensionistas recebem o benefício mínimo e se encaixam nas classificações de baixa renda. “Esse público se mostra tão ou mais preocupados com aspectos como taxa de juros do crédito e facilidade de contratação. Percebemos claramente que é um público cada vez mais consciente no uso do crédito e entendemos que o movimento feito pelas fintechs é essencial nessa equação”, afirma.

Enquanto isso, a QuiteJá é uma plataforma 100% digital de recuperação de crédito que tem como objetivo tornar a relação entre credor e devedor mais dinâmica e saudável. Com essa ideia, a fintech já auxiliou na recuperação de mais de R$ 330 milhões para os credores e de R$ 2,5 bilhões em descontos para os usuários. E entre janeiro e julho este ano, a startup registrou aumento de 88% em negociação de dívidas em diversos estados brasileiros.

QuiteJá aposta em recuperação de crédito (Foto: Divulgação)
QuiteJá aposta em recuperação de crédito (Foto: Divulgação)

“É a fatia mais relevante hoje da empresa”, conta o CEO, Luiz Henrique Garcia, ao ser questionado sobre a importância da classe baixa para a startup. “[É um cliente] exigente e devemos atender aos seus interesses. É preciso compreender a realidade de cada um para que nossas ofertas sejam mais próximas da realidade financeira. O processo de digitalização é sem volta. Realizamos em meses, o que se imaginava que seriam em anos”.

Próximos passos

De olho nisso, startups já começam a olhar para um futuro mais produtivo a partir desse cliente de baixa renda bancarizado. A Payface, por exemplo, é uma startup focada em reconhecimento facial para pagamentos. Para a empresa, essa nova onda de bancarização e a entrada das famílias de renda baixa no mundo financeiro digital deve ajudar na adoção de tecnologias mais simples, rápidas e fáceis de processar, quase como um piscar de olhos.

“No Brasil ainda temos um alto nível de desbancarizados, números que estão caindo cada vez mais”, comenta Eládio Isoppo, CEO da empresa de tecnologia. “Os consumidores que não possuem conta bancária também buscam experiências melhores de pagamento sem que haja toque e ainda apresente mais segurança do que portar dinheiro em espécie”.

Diego Contezini, vice-presidente da startup Asaas, fintech que oferece serviços financeiros para profissionais autônomos e micro e pequenos empreendedores, chama a atenção de que esse movimento deve começar a ir além de famílias de renda baixa. “Pessoas de maior idade, até mesmo idosos, se sentiram obrigados a se digitalizaram. Em todos os casos, a entrada maior foi de usuários pouco acostumados com o uso de sistemas e internet”, disse.

“A combinação do auxílio emergencial e smartphones mais acessíveis ao público de baixa renda abriram portas para outros mercados. Já havia um processo de bancarização em curso antes da pandemia, mas não nessa magnitude”, diz Ricardo Ferrara, da Cinnecta. “Muitas pessoas tiveram o primeiro contato com o sistema financeiro e quando são trazidas para esse novo universo, naturalmente passam a demandar mais serviços digitais”.

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