Mercado fechará em 18 mins

Com pandemia, criação de empresas perde força e cai quase 30% em abril

LARISSA GARCIA

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Como consequência da crise gerada pela pandemia de coronavírus, o fluxo de abertura de empresas caiu 29,5% em abril, em comparação ao mesmo mês de 2019. Em sentido oposto ao esperado, o fechamento de empresas foi menor em abril, com queda de 41,1% de encerramentos formais em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (18) pelo Ministério da Economia.

"O encerramento formal de empreendimentos é a última etapa no ciclo de vida de um empreendedor, então ele vai adotar uma série de medidas econômicas e de combate aos impactos até que tenha a capacidade de reaquecer esse negócio. Caso não seja viável, ele recorre ao fechamento formal do seu negócio, o encerramento do seu sonho", disse o secretário de Governo Digital, Luis Felipe Monteiro.

O secretário-adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Gleisson Rubin, esclareceu que o isolamento social também pode ter postergado o encerramento formal das empresas.

"Uma das razões possíveis é a menor circulação de pessoas e, consequentemente, menor fluxo de deslocamento até as juntas comerciais", afirmou. "Além disso, há o efeito da postergação da decisão de fechar seu empreendimento em face das medidas de socorro do governo."

Entre abril e março, foram abertas 189 mil empresas, e 58,6 mil foram fechadas. O saldo foi positivo em 131,2 mil empreendimentos.

De acordo com o estudo, no primeiro quadrimestre do ano, foram abertas 1,03 milhão de empresas, o que representa um aumento de 1,2% em relação ao último quadrimestre de 2019 e queda de 1,1% quando comparado com mesmo período de 2019.

Em contrapartida, foram fechadas 351.181 empresas, queda de 6,6% em relação ao último quadrimestre de 2019 e de 12% ao período no ano anterior. O saldo dos primeiros quatro meses do ano foi positivo em 686,8 mil empresas. Até abril eram 18,4 milhões de empreendimentos ativos.

São Paulo é o estado com o maior número de empresas, com 5,2 milhões. Em seguida vêm Minas Gerais, com quase 2 milhões, e Rio de Janeiro com 1,7 milhão. Os três estados representam 81% dos empreendimentos ativos no país, segundo Monteiro.

São Paulo, estado mais afetado pela pandemia, também registrou o maior número de empresas fechadas, 97 mil, no primeiro quadrimestre.

As atividades que mais tiveram empresas abertas foram de cabeleireiro, manicure e pedicure (55,9 mil), comércio varejista de vestuário e acessórios (51 mil), promoção de vendas (43,2 mil) e obras de alvenaria (36,7 mil).

"Importante destacar a tendência da abertura de cada vez mais empresas que exerçam atividades que estão dispensadas de alvarás e licenças, em razão da aplicação da Lei de Liberdade Econômica", ressaltou o estudo.

Entre as empresas fechadas, o comércio varejista de vestuário e acessórios aparece em primeiro lugar (26,6 mil), seguido de promoção de vendas (12,8 mil) e cabeleireiros, manicure e pedicure (10,6 mil).

De acordo com o documento, a inclusão dos motoristas de aplicativos no rol de atividades permitidas ao Microempreendedor Individual fez com que a atividade crescesse 1.907,5% em relação ao primeiro quadrimestre de 2019.