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Com público fiel e obrigações contratuais, musicais encabeçam reabertura dos teatros

·6 min de leitura

Um ônibus estaciona em frente ao Teatro Liberdade, em São Paulo. Do veículo fretado que havia partido de uma cidade do interior do estado, saltam grupos de mulheres de máscara, a maior parte na faixa dos 70 e 80 anos, todas com ingressos, sprays de álcool e carteiras de vacinação nas bolsas. “O pessoal já não estava mais aguentando ficar em casa!”, exclama o organizador da caravana. A cena é recente.

— O que os cariocas chamam de “senhorinhas da van” não se perdeu em São Paulo. E esse movimento é o que sustenta as bilheterias — diz Renata Borges Pimenta, produtora de “Cinderella”, em cartaz naquele endereço. — Todo mundo achava que isso ia acabar. Aconteceu o contrário.

Contra todas as previsões e expectativas, os espetáculos musicais estão na comissão de frente da lenta retomada do setor teatral no Brasil. Enquanto os monólogos se destacavam na cena virtual e davam sinais de que assumiriam a dianteira do retorno das plateias, os musicais — com seu elenco e equipe numerosos — pareciam longe de recuperar os holofotes. A realidade é outra. Na capital paulista, onde se concentra a maior quantidade de palcos em atividade no país, já há mais de uma dezena de montagens do gênero. E uma nova leva de produções superlativas aportará por lá em novembro, dezembro, janeiro...

Há uma “demanda real do público” por peças que seduzem olhos (e ouvidos) pela grandiosidade, frisa o diretor Charles Möeller, em discurso que ecoa entre seus pares. À frente de “Cinderella”, ele já prepara, com Claudio Botelho, as estreias de “O jovem Frankenstein” (para dezembro, no Rio) e “West side story” (em SP) e “Mamma Mia!” (no Rio), ambas para 2022.

— Um musical traz algo de utopia. Você vê ali a grande produção, as cores, a luz, a energia de vida. Isso ajuda a curar o claustro, a tristeza. O público estava afoito por algo assim — defende Möeller.

Plateias cheias

Na Broadway, em Nova York, após um jejum de 18 meses, espectadores têm lotado plateias desde meados de setembro, quando foi reaberta a maior parte dos 41 teatros do célebre circuito cultural da cidade. Em São Paulo e no Rio, os aplausos do público também ressoam mais fortes. A partir do próximo fim de semana, a maioria dos teatros deve voltar a funcionar com lotação máxima, com a obrigatoriedade do uso de máscaras.

— A gente não cria protocolo. A gente cumpre aquele que existe — diz Carlos Cavalcanti, produtor de “Charlie e a fantástica fábrica de chocolate”, no Teatro Renault, em São Paulo, com 44 atores no palco, e que estrearia em março de 2020, não fosse a pandemia. — A nova permissão para ocupar 100% da plateia nos dá fôlego. Estamos indo para a sexta sessão com ingressos esgotados, e abrimos apresentações às quintas-feiras.

Embora o prejuízo ainda seja mais certo do que o lucro, produtores brasileiros avaliam que esta é hora de esquentar o mercado — com a emergência de novas exigências ainda não previstas em leis de incentivo, como a realização de testes de Covid semanais entre atores e equipe técnica, a lista de gastos aumentou em até 15%.

— Quem tem verba para isso precisa voltar à cena. É o jeito de impulsionar o setor — comenta Aniela Jordan, gestora dos teatros Riachuelo e Prudential, uns dos primeiros a reabrir no Rio. — Musicais sempre atraíram um público abrangente, de todas as faixas etárias. E isso anima a classe.

Espetáculo inédito do gênero em cartaz no Rio, no Prudential, o infantil “Zaquim”, estrelado por seis atores-músicos, tem agradado não somente crianças. O que norteou a criação da narrativa de Duda Maia (de “Auê” e “Elza”) foi justamente inventar um espetáculo que abordasse temas contemporâneos e que não fosse palatável apenas para o público mirim.

A mesma plateia, formada por crianças, adolescentes, adultos e idosos, é vista nas sessões de “Barnum — O rei do show”, no Teatro Opus, em São Paulo. Protagonizada pelo ator Murilo Rosa, a primeira adaptação brasileira para o musical da Broadway — que ganhou filme com Hugh Jackman, em 2017 — tem como chamariz a linguagem circense, com ilusionismos, acrobacias e cenários arrojados.

— O segmento está tentando abrilhantar os olhos dos patrocinadores, que recuaram em 2020, para que essa cadeia não seque — conta Thiago Hofman, diretor de produção de “Barnum”, que apostou na oferta permanente de ingressos a preços populares, a partir de R$ 25, para cativar um maior número de espectadores.

Cena antiga à vista

Hoje, a maioria dos musicais que ocupa os teatros são reestreias de montagens com equipes já estruturadas — a expectativa do setor é que haja um boom de estreias em 2022. Todos, porém, captaram recursos antes da pandemia e mantêm, desde então, obrigações com patrocinadores ou determinações da Lei Rouanet. Isso também ajuda a explicar este fôlego dos musicais.

A lista de atrações inclui, em São Paulo, sucessos como “Donna Summer”, de Miguel Falabella; “A Bela e a Fera”, de Billy Bond; “Silvio Santos vem aí”, sobre o criador do SBT; “A cor púrpura”, que volta em novembro; e “Conserto para dois”, com Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello.

— Os protocolos aumentaram o tempo de preparação para entrar em cena. Mas já temos isso em mente, e o fundamental é estar de volta — comemora Claudia Raia, que divide o tablado com o marido no Teatro Procópio Ferreira. — No nosso caso, são dois atores no palco, mas há 15 pessoas nos bastidores nos ajudando. É muito gente envolvida.

Aglomeração, aliás, é palavra difícil de ser contornada nesse ambiente. Em geral, diretores têm orquestrado uma coreografia complicada para que os protocolos sanitários sejam seguidos à risca nos ensaios. Aniela diz que os encenadores se dedicam agora a uma “gestão do medo”. É que, apesar do entusiasmo geral nos bastidores, paira certa apreensão com a possibilidade de contaminações.

Há algumas semanas, entre uma sessão e outra de “Cinderella”, um bailarino revelou que estava com febre e ponderou que o mal-estar havia sido causado por um alimento estragado que consumira num restaurante japonês. Os 70 profissionais envolvidos na peça, todos já vacinados, entraram em pânico, e ele foi afastado temporariamente.

Não à toa, os musicais foram redimensionados. “Cinderella” reduziu o elenco de 34 atores para 22. Mais: a produção dispensou os 18 músicos da orquestra, que executavam a trilha no fosso do palco. O infantil “Madagascar”, em cartaz no Teatro Multiplan, no Rio — e tocado por 110 profissionais, entre artistas e técnicos — seguiu o mesmo caminho, e agora reproduz as músicas em caixas de som. Möeller e Botelho também vão abrir mão de orquestras e coros completos nas próximas obras.

— A hora é de empatar, e não de ganhar — reforça Renata Borges. — Imagino que o mercado deva demorar uns três anos para ser o que era.

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