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Com ou sem bolha, investidor da bolsa precisa de educação financeira, dizem especialistas

·3 minuto de leitura
Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto
Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto

Luis Stuhlberger, presidente da Verde Asset Management, é um dos gestores mais respeitados do mercado. Por isso gerou polêmica o comentário que ele fez durante evento do Credit Suisse, em São Paulo, na última semana.

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"No Brasil existe o efeito bolha na Bolsa. Os órfãos do CDI estão diversificando tudo o que aparece", disse Stuhlberger na última quarta-feira (29). "Isso é muito bom para economia brasileira, mas o mercado está praticamente forçando o Banco Central a cortar mais a taxa [de juros]."

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O uso do termo "bolha" deixou investidores assustados. Afinal, o crescimento da bolsa brasileira é sustentável? Para analistas ouvidos pelo Yahoo Finanças, talvez seja cedo demais para temer um crash, mas o crescimento da renda variável preocupa.

"Não temos todos os elementos para configurar uma bolha", diz Juliana Inhasz, professora de economia do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) de São Paulo. "Mas temos, de fato, visto um movimento um pouco exagerado."

Juliana se refere à corrida de investidores que trocaram a renda fixa, prejudicada pela baixa na Selic, pela renda variável. Em 2019, o número de pessoas físicas cadastradas na bolsa brasileira chegou a 1,5 milhão, com um crescimento médio de 70 mil novos CPFs por mês.

"A gente não está ainda economicamente no ponto de olhar essa supervalorização das ações e falar 'nossa, como estamos bem'", diz Juliana. "O que você tem são elementos que pressionaram os preços para cima."

Além da queda na rentabilidade de produtos atrelados à Selic, outro fator que parece ter "empurrado" o investidor brasileiro para a bolsa é o da simplificação do acesso ao mercado de ações.

Canais de YouTube fazem propaganda dos benefícios de trocar a renda fixa por aplicações de mais alto risco ao mesmo passo em que plataformas online transformam o ato de comprar ações em um gesto tão simples quanto o de um toque na tela do celular.

Uma dessas plataformas é a Easynvest, que em 2019 atingiu a marca de 1 milhão de contas. Para Fabio Macedo, diretor comercial da empresa, porém, o aumento de investidores visto no último ano é mais sustentável do que casos semelhantes do passado.

"A disseminação da informação hoje é muito mais ampla. A gente ainda vai ter pessoas desinformadas, entrando no final da feira, mas hoje a tomada de decisão por parte dos investidores está muito melhor", diz o executivo ao Yahoo Finanças.

Opinião semelhante é a de Daniel Jannuzzi, planejador financeiro e especialista de investimentos da Magnetis - gestora que, como a Easynvest, também surfou na onda do aumento de pessoas físicas na bolsa.

Segundo Jannuzzi, o boom do mercado de ações também pode ser explicado, em parte, pela melhora dos indicadores econômicos do Brasil após a recessão iniciada em 2014. De certa forma, os bons números da B3 refletem a economia do país.

O desafio, porém, é o de garantir que os novos investidores, ainda sem experiência com crises e bolhas, não se desesperem ao se deparar com a sua primeira oscilação - como a queda decorrente do coronavírus que afetou bolsas de todo o mundo em janeiro.

"As novas plataformas de investimento são uma excelente porta de entrada [para o mercado de ações]. Só que não adianta nada você ter a porta de entrada e não ter a parte de educação financeira", diz Jannuzzi.

Para Juliana, do Insper, a missão de educar financeiramente os novos investidores passa por todos os personagens envolvidos - da corretora ao gestor dos fundos de ação. Mas não pode ser encarada como obrigação de uma ou outra parte.

"Muita gente acha que esse seria o papel do governo, mas eu não acho", diz a professora. "Existe um movimento muito natural que acontece com as pessoas entendendo cada vez mais esse mercado. Isso acontece com o amadurecimento do investidor."

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