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Com 'O Cravo e a Rosa', Globo tem 7 novelas diárias ocupando 23% da grade

·4 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a estreia da edição especial de "O Cravo e a Rosa" (2000) nesta segunda-feira (6), inaugurando uma nova faixa de teledramaturgia no período vespertino da Globo, a emissora terá sete novelas diariamente em sua programação: três inéditas ("Nos Tempos do Imperador", "Quanto Mais Vida, Melhor!" e "Um Lugar ao Sol"), e quatro reprises (além da história assinada por Walcyr Carrasco, "O Clone", de 2000, "Malhação Sonhos", de 2014-2015, e "Verdades Secretas", também de Carrasco de 2015).

Serão em torno de cinco horas e trinta minutos por dia -ou 23% da programação- , dedicadas exclusivamente às tramas ficcionais. Na prática, são entre 20 e 25 minutos a mais da grade diária voltada ao gênero -tempo que é retirado principalmente do Jornal Hoje, que antes era exibido até 15h, e agora acaba mais cedo, às 14h40, para a entrada de "O Cravo e a Rosa".

Para Clarice Greco, doutora em comunicação pela USP (Universidade de São Paulo), ao promover essa mudança, a Globo faz uma aposta em seu principal produto: a telenovela. "E em uma tentativa de atender a um público que é mais afeito à grade de televisão", diz.

Ela acrescenta que é uma estratégia mais segura e que envolve menos custos para tentar resolver o problema de uma faixa horária, que já foi alvo de investimentos mais altos (como o extinto programa Se Joga), mas que continua sofrendo para decolar na audiência -em São Paulo costuma perder para o quadro de fofocas A Hora da Venenosa, da Record. Há também, na visão de Greco, uma aparente movimentação da empresa em jogar as grandes experimentações e obras inéditas para o Globoplay -a exemplo de "Verdades Secretas 2" e as segundas temporadas de séries como "Aruanas" e "Segunda Chamada". Em entrevista à colunista Cristina Padiglione, da coluna Zapping, da Folha de S.Paulo, Amauri Soares, diretor da Globo, confirmou que a ideia é testar a audiência do horário ao gênero. "[...] Estamos há muito tempo estudando essa experiência com dramaturgia após o Jornal Hoje, uma dramaturgia adequada para quem está em casa nesse horário, um relaxamento no começo da tarde, para crianças, mulheres, família de modo geral."

E ele sinalizou que, se a experiência der certo, até mesmo novelas inéditas para o horário podem ser produzidas. "É uma boa estratégia de percepção de público. Em geral, quem gosta de novela, vê reprise", analisa Greco.

Lucas Martins Néia, doutor em comunicação especialista na história da televisão no Brasil, destaca que a possibilidade de produções inéditas para a faixa é reforçada pelo fato de a Globo não ter nomeado o novo horário como um segundo Vale a Pena Ver de Novo.

"Ainda mais depois do fim de 'Malhação'", diz. Uma nova temporada da novela voltada aos adolescentes foi cancelada pela Globo em 2022, mas a emissora ainda não confirma oficialmente o seu fim (a reprise de "Malhação Sonhos" termina no fim de fevereiro).

Seria uma forma, segundo Néia, de testar novos autores em produções mais baratas, uma espécie de coringa como foi "Malhação", mas de olho em um público diferente. Agora, não mais os adolescentes, e sim, mulheres mais velhas e crianças, como o próprio Soares indica.

Para o especialista, é preciso cuidado, porém, para não descartar o jovem da TV aberta. "Nessa ideia de que ele não assiste TV, e deixá-lo apenas no streaming", adverte.

Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela USP, lembra que a iniciativa da Globo em colocar mais uma novela no período vespertino não é novidade, já que é um expediente adotado por Silvio Santos há muito tempo. No SBT, a faixa das 17h às 19h45 é ocupada por reprises de novelas mexicanas (são três na sequência).

A Record também tem a sua faixa de reprise vespertina, transmitida após A Hora da Venenosa. Atualmente, é exibida a novela "Prova de Amor" (2005-2006).

Os especialistas concordam ainda que a nova faixa da Globo é uma prova de que a telenovela, que celebra em 2021 70 anos de existência no Brasil, segue cada vez mais forte e presente na TV aberta, apesar de há muito se aventar a decadência do gênero no país, especialmente com o crescimento da popularidade das séries.

"Acho que a novela tem a tendência de permanecer muito tempo na centralidade do cenário do audiovisual, porque tem apelo. Você vê números mais baixos de audiência, mas não é só da novela, é da TV aberta de forma geral", conclui Lucas Néia.

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