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Com novas aquisições, Hypera deve virar líder do mercado farmacêutico

Stella Fontes e Ana Paula Machado

A empresa deve se consolidar na liderança pelo critério de vendas ao consumidor, com R$ 5,8 bilhões A Hypera Pharma deve se consolidar na liderança do mercado farmacêutico brasileiro pelo critério de vendas ao consumidor (“sell-out”), com R$ 5,8 bilhões segundo dados da IQVIA, a partir da aquisição do portfólio de medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) da Takeda e do Buscopan.

Em comunicado, a Hypera informou que a transação anunciada nesta segunda-feira, em conjunto com a compra do Buscopan, “representará um movimento transformacional” quando finalizada.

“A companhia também deterá duas das três maiores marcas de medicamentos OTC, com market share de 20% no mercado de saúde do consumidor, tornando-se líder absoluta nesse segmento no país”, indicou a farmacêutica brasileira.

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No ano passado, os ativos comprados da Takeda tiveram receita líquida de R$ 900 milhões, 83% gerados no Brasil. Outros 15% foram obtidos no mercado mexicano. O portfólio inclui produtos de cardiologia, diabetes, endocrinologia, gastroenterologia, sistema respiratório e clínica geral, além de marcas muito conhecidas pelo consumidor como Neosaldina.

Segundo a Hypera, a Neosaldina é a terceira maior marca de medicamentos OTC no Brasil, atrás do Buscopan, a segunda, além do Dramin.

Com a aquisição anunciada nesta segunda-feira, por US$ 825 milhões, a Hypera entra ainda na área de cuidados para diabetes com a marca Nesina. “Após o fechamento da transação, a Hypera Pharma adicionará quatro novas marcas com faturamento anual acima de R$ 100 milhões a seu portfólio, que passará a incluir 16 no total”, informou.

Em nota, o presidente da Hypera, Breno Oliveira, destacou que essa é a maior aquisição da história da empresa. “Estamos acelerando o crescimento da companhia e criando uma plataforma única e irreplicável, com sólida posição em segmentos estratégicos do mercado”, afirmou.

Em teleconferência com analistas, Oliveira disse que a aquisição “marca uma transformação da Hypera”. “Quando finalizada as aquisições, do Buscopan e da Takeda, mudaremos o nosso patamar no mercado. Seremos a maior empresa farmacêutica do país”, disse.

Segundo ele, os negócios devem representar um aumento de 30% na receita da companhia e outros 50% no lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês).

De acordo com a companhia, os ativos da Takeda na América Latina hoje têm faturamento de R$ 900 milhões. Já a família Buscopan, comprada em dezembro, tem receita de R$ 250 milhões. O Ebitda da Takeda é de cerca de R$ 377 milhões e do Buscopan, de R$ 92 milhoes.

Há duas semanas, a Hypera enviou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a conclusão da compra da família Buscopan para a avaliação do órgão.

O diretor de relações com investidores e financeiro, Adalmario Couto, disse que a expectativa da companhia é que as sinergias geradas com a aquisição cheguem a R$ 280 milhões.

“Esperamos poder conseguir essas sinergias já no primeiro ano após o fechamento do negócio. Boa parte disso virá com a transferência de produção para nossa fábrica em Anápolis [GO], pois conseguiremos adicionar os ganhos tributários”, disse Couto.

O executivo disse ainda que essa sinergia poderá ser alcançada também com as ações de marketing e no aumento da distribuição dos medicamentos no pequeno e médio varejo. “Temos uma atuação forte nessas áreas”, afirmou.

Couto ressaltou ainda que a estratégia de crescimento orgânico traçada pela companhia não será alterada com as aquisições. “Seguimos com os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Isso não muda a nossa estratégia de crescimento orgânico. Essas aquisições até aceleram os processos de lançamentos e extensão de linha de nossos produtos.”

A Takeda também anunciou nesta segunda-feira a conclusão da venda de um portfólio de medicamentos OTC e de prescrição no Oriente Médio e África para a Acino por mais de US$ 220 milhões, completando a operação anunciada em outubro do ano passado.

Essa transação envolve cerca de 30 produtos, que continuarão a ser produzidos pela farmacêutica japonesa em regime de terceirização, e a equipe de aproximadamente 270 profissionais de venda e marketing.

Em comunicado, a farmacêutica afirma que a recente venda de ativos faz parte da estratégia de redução de endividamento – a meta é reduzir a alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda a 2 vezes entre 2022 e 2024 – e de foco nas principais áreas de negócio, entre as quais oncologia, gastroenterologia e sistema nervoso central.

A Takeda já havia vendido o Xiidra, colírio usado no tratamento de olhos secos, para a Novartis por US$ 5,3 bilhões e o Tachosil (esponja de colágeno usada no suporte a suturas em cirurgias hepáticas) por US$ 400 milhões para a Ethicon. Em novembro, anunciou ainda a venda de ativos não-estratégicos na Rússia.