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Com lucros em alta, petrolíferas globais recompram ações

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(Bloomberg) -- Exxon Mobil e Chevron estão direcionando lucros surpreendentes para a recompra de ações. A disparada dos preços de produtos energéticos impulsionou o fluxo de caixa das petrolíferas.

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A Exxon vai realizar recompras pela primeira vez desde 2016. A empresa informou na sexta-feira que planeja gastar até US$ 10 bilhões em recompras a partir do ano que vem. A Chevron estuda ampliar seu programa de recompra após o aumento de preços do gás natural e dos retornos na atividade de refino de petróleo levar o fluxo de caixa livre a um recorde no último trimestre.

As duas maiores produtoras de petróleo e gás dos EUA parecem priorizar os acionistas em vez de investir no negócio — apesar das crises de energia na Europa e China e da preocupação generalizada com a inflação e a oferta de combustíveis fósseis. A questão crucial para executivos dessas empresas é se decidirão alocar mais recursos para expandir a produção de petróleo e gás em 2022.

A expectativa é de que a Exxon use a maior parte do fluxo de caixa excedente para cobrir dividendos e pagar dívidas, que chegaram a quase US$ 70 bilhões no final de 2020, o ponto máximo em termos líquidos. Todas as quatro grandes rivais da empresa — Chevron, TotalEnergies, Royal Dutch Shell e BP — estão aproveitando a disparada das commodities neste ano para recomprar ações. Shell e BP foram forçadas a cortar dividendos no ano passado.

O lucro líquido da Exxon, excluindo perdas e ganhos extraordinários, somou US$ 6,8 bilhões, o maior desde 2014. A companhia teve prejuízo de US$ 650 milhões um ano antes.

O lucro trimestral da Chevron superou todas as estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg. O CEO Mike Wirth aposta na estratégia de enriquecer os acionistas e aumentar a produção, ao mesmo tempo em que trata de questões climáticas ao reduzir uma polêmica métrica de emissões de carbono.

O fluxo de caixa livre de US$ 6,7 bilhões no trimestre permite à Chevron bancar um dividendo que está entre os 10 melhores entre as empresas componentes do S&P 500, além de reduzir a dívida.

O que diz a Bloomberg Intelligence:

“O foco muda para o crescimento, com a aposta da Exxon na Guiana, na Bacia Permiana e em atividades de refino e distribuição nos próximos dois anos. As pressões ambientais, sociais e de governança (ESG) podem alterar os gastos no futuro. Em vista do enorme dividendo anual de US$ 15 bilhões, acreditamos que vender ativos e reduzir o endividamento será necessário se a Exxon se voltar para investimentos mais sustentáveis.”

-- Fernando Valle, analista sênior de energia, e Brett Gibbs, analista associado

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