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Com lucro de R$436,3 mi no 2º tri 2020/21, Biosev tem 1ª ganho semestral da história

Por Roberto Samora
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Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A Biosev, uma das maiores processadoras de cana-de-açúcar do Brasil, teve lucro líquido de 436,3 milhões de reais no segundo trimestre da safra 2020/21, revertendo prejuízo de 288,2 milhões de reais no mesmo período ao ano anterior, informou a empresa nesta quinta-feira.

Um desempenho operacional recorde, moagem de cana histórica e volumosas receitas com açúcar permitiram que a companhia tivesse o primeiro lucro em um segundo trimestre desde 2017.

Já no primeiro semestre da safra a Biosev teve lucro líquido 155,5 milhões de reais, ante prejuízo líquido de 451,9 milhões no mesmo período do ciclo anterior, tornando histórico o período para a companhia, que nunca havia registrado um resultado semestral positivo.

O indicador de geração de caixa da Biosev, medido pelo Ebitda ex-revenda, atingiu 1,25 bilhão de reais no semestre fiscal, alta de 20,8%, e 885,5 milhões no segundo trimestre, aumento de 26,6%.

"São conquistas importantes e acreditamos que estamos colhendo os frutos da execução do nosso plano de negócios, continuamos focados em ganhar resiliência e buscando maximizar a eficiência operacional para redução de custos e aumento de produtividade, além da geração de caixa", disse o presidente da Biosev, Juan José Blanchard, à Reuters.

Ele citou resultados operacionais recordes, além de receita líquida e Ebitda em patamares históricos para o período.

A receita com açúcar atingiu 2 bilhões de reais no primeiro semestre, aumento de 114,2% ante o mesmo período da safra anterior. Já as vendas de etanol caíram 28,6% na mesma comparação, para cerca de 1 bilhão de reais.

A empresa, braço de açúcar e etanol do grupo Louis Dreyfus, aumentou em 2,4% moagem de cana no primeiro semestre da safra 2020/21, para recorde de 23,3 milhões de toneladas, com o tempo seco favorecendo os trabalhos.

A produtividade média dos canaviais da Biosev marcou 88,1 toneladas/hectare no primeiro semestre da safra 20/21, alta de 2,6%, com a renovação dos canaviais sendo citada pela companhia como fator positivo.

Além disso, a Biosev informou recorde histórico de Açúcar Total Recuperável no 1º semestre da safra, a 141,1 kg por tonelada de cana, alta de 9,3%, com tratos culturais aliados a um clima mais seco na época da colheita.

Dessa forma, mesmo impactada pela variação cambial, que elevou a dívida da companhia para quase 7 bilhões de reais em setembro de 2020, ante 5,6 bilhões no mesmo período do ano passado, o resultado líquido da empresa conseguiu ficar no azul.

"Isso mostra que o resultado do trimestre foi ainda mais importante e reforça que estamos indo no caminho certo", disse o CEO, ao responder pergunta sobre os recorrentes prejuízos líquidos anteriores gerados pelo impacto da dívida.

Questionado sobre negociações com a Raízen sobre venda de operações da Biosev para o grupo que é uma joint venture da Cosan e Shell, o executivo disse que "as conversas continuam preliminares e não há nada vinculante assinado".

O diretor financeiro da Biosev, Leonardo Oliveira D’Elia, comentou que a despesa financeira está "ligeiramente menor, mas tem um impacto da variação cambial. "Mesmo com esse impacto, estamos terminando o semestre com lucro", disse ele, exaltando os resultados operacionais.

Ele disse ainda que a companhia terminou o semestre com estoques de açúcar de 370 mil toneladas, alta de 18% ante o ano passado, e de 415 milhões de litros de etanol, aumento de 8% na mesma comparação.

"Estamos entregando um nível de receita, mas ainda tendo nível de estoque para realizar importante."