Mercado fechará em 6 h 46 min

Com inflação e BC no foco, juros futuros fecham perto da estabilidade

Victor Rezende

No fim da sessão regular, a taxa do DI para janeiro de 2021 cedeu de 4,36% para 4,355% e a do DI para janeiro de 2023 permaneceu em 5,57% O cenário benigno para a inflação projetado pelo mercado falou mais alto e os juros futuros encerraram o pregão regular desta sexta-feira (24) em ligeira queda, após oscilarem entre leves altas e baixas, durante toda sessão. Além da inflação, afirmações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a potência e a defasagem da política monetária também estiveram no foco dos agentes do mercado, sobretudo durante a manhã.

Em evento organizado pela XP Investimentos em São Paulo, Campos Neto reforçou alguns dos pontos abordados em entrevista ao Valor concedida na quinta (23), como a de que o choque nos preços de proteína deve se dissipar rapidamente. Em sua fala hoje, porém, o dirigente deu ênfase a questões como a defasagem da política monetária. “Tem gap de política monetária a se observar. Parte do que foi feito não foi dissipado”, afirmou o dirigente, ressaltando que a política “vai ser mais potente”.

O efeito dos comentários do dirigente foi imediato. Logo após a fala sobre as incertezas em relação à potência e à defasagem da política monetária, os vértices intermediários da curva passaram a subir com mais força, mas se acomodaram ao longo da tarde. No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu de 4,99%, no ajuste anterior, para 5,00%, após alcançar 5,05% mais cedo, enquanto a do DI para janeiro de 2023 permaneceu em 5,57%.

Na ponta curta da curva, porém, quem continuou a ditar o rumo dos juros futuros foi a inflação. Assim, a taxa do DI para janeiro de 2021 cedeu de 4,36% para 4,355%. Coletas diárias de inflação mostram que, na ponta, o IPCA voltou a perder força, ao passar de 0,40% na quarta-feira (22) para 0,37%, ontem.

“Não vemos pressões inflacionárias consistentes no curto prazo”, afirmam os economistas Vinicius Moreira e Cassiana Fernandez, do J.P. Morgan, em relatório enviado a clientes. Para eles, apesar dos detalhes mais “feios” do IPCA-15 de janeiro, “é mais barulho do que um sinal, e continuamos confortáveis com nossa expectativa de inflação moderada ao longo deste ano”. O banco americano espera que o IPCA fique em 3,7% este ano, abaixo da meta de 4%.