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Com indefinição sobre Santos com crise do coronavírus, outros portos operam normalmente

KATNA BARAN E JOÃO VALADARES
**ARQUIVO** SANTOS, SP, 16.04.2019 - Contêineres no porto de Santos (SP). (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

CURITIBA, PR, E RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Enquanto há uma expectativa em torno da possível paralisação do porto de Santos -decisão que deve sair nesta sexta-feira (20)-, as demais áreas portuárias do país garantem que as atividades não foram comprometidas diante da anunciada pandemia do novo coronavírus.

A Portos do Paraná, que administra os portos de Paranaguá e Antonina, garantiu nesta quarta-feira (18) que não houve impacto algum nas operações.

Os portos paranaenses têm atualmente 11 navios operando, seis programados, 20 aguardando para programação e 76 navios anunciados, esperados até abril.

O diretor-presidente da Appa (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina), Luiz Fernando Garcia da Silva, destacou que nesta semana chegaram a ser registrados 2.000 caminhões por dia no pátio de triagem de cargas, número quase recorde para o espaço.

Na média do mês de março do ano passado, por exemplo, passaram pelo pátio de triagem 1.140 caminhões por dia.

"Temos um horizonte de programação bem robusto, que nos deixa ter essa certeza de que os nossos portos operam normalmente, mas seguindo todos os protocolos preventivos", afirmou o diretor de operações, Luiz Teixeira da Silva Júnior.

O Sindicato dos Estivadores de Paranaguá e a TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres do porto, também confirmaram que o movimento permanece normal no estado.

"O que pode acontecer agora no restante do semestre é tudo conjectura, mas, pela nossa programação, tudo deve continuar regular", afirmou Garcia à reportagem.

Em Santa Catarina, navios de turismo estão impedidos de atracar nos portos, a não ser com determinação contrária.

No porto de Itapoá, maior do estado e terceira posição no Brasil em movimentação de contêineres, as operações estão funcionando normalmente. Até o final de março, são esperados cerca de 20 navios. Dois estão em operação. O local foi fechado para visitação.

Em São Francisco, há atualmente três navios atracados. Em Itajaí, há também três navios em operação e cerca de 30 aguardados até o final do mês de março.

Nos dois portos está sendo organizada uma simulação com a Defesa Civil do estado para atuações em caso de suspeita da Covid-19 a bordo de embarcações.

O governo de Pernambuco informou que a movimentação no Porto de Suape, localizado entre os municípios de Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, ainda não sofreu alterações em razão da pandemia de coronavírus.

A assessoria de imprensa do Porto de Suape comunicou que não há prejuízos até o momento para a operação portuária ou o funcionamento da empresa, que trabalha com processos eletrônicos, permitindo o acesso remoto.

O Tecon Suape, terminal privado instalado no atracadouro pernambucano, informou que adotou medidas preventivas, mas que está funcionando normalmente.

A VR Transporte, empresa que opera transportando contêineres, comunicou que o movimento segue dentro da normalidade.

Em janeiro, em Suape, houve um aumento de 45% na movimentação de cargas e a previsão para fevereiro, cujos dados ainda estão sendo consolidados pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) é de um crescimento maior.

O Porto de Suape está instalado em um território de 13,5 mil hectares, sendo 59% de área preservada. No local, há 147 indústrias instaladas ou em processo de implantação.

Uma média de 120 navios por mês são recebidos no porto.

MEDIDAS PREVENTIVAS

Todos os portos consultados pela reportagem anunciaram medidas preventivas para impedir o contágio pelo novo coronavírus.

Em Pernambuco, um decreto do governo impede que a tripulação desembarque. Segundo a administração de Suape, isso não modifica a operacionalização nem afeta a movimentação de cargas, já que grande parte é de combustíveis, esvaziados por tubulação.

Entre outras medidas adotadas, estão a de permissão para funcionários com mais de 60 anos trabalharem de casa e a suspensão de eventos, cursos, viagens, visitas ou qualquer outra atividade que implique em aglomeração de pessoas.

No Paraná, é exigida quarentena de tripulantes de navios vindos de países com registros da doença antes de atracarem em Paranaguá. O estado também foi um dos primeiros a cobrar atestado médico para quem chega de avião ao porto para render quem trabalha nos navios.

O porto de São Francisco contratou uma empresa para realizar desinfecção do espaço. Também distribuiu totens com lixeiras, máscara descartável, material para desinfecção das mãos e panfleto informativo para as pessoas que ingressarem na área portuária.

Em Itapoá, foram suspensas as visitas e reuniões internas com mais de seis pessoas. Colaboradores que tenham tido contato com pessoas que estiveram no exterior nas últimas semanas devem permanecer em casa por 14 dias. Idosos e portadores de doenças crônicas com mais de 50 anos foram dispensados por sete dias.

Já o porto de Itajaí está exigindo informações sobre o quadro médico de tripulantes antes da atracação. Foram disponibilizados recipientes com álcool em gel, além de luvas e máscaras nas entradas dos navios.

Nesta terça-feira (17), o porto instituiu que os documentos externos devem ser protocolados por email, para evitar a circulação de pessoas no espaço.