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Com impacto limitado da Delta, BCE vê Europa a caminho de crescimento sólido

·2 minuto de leitura
Economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane

Por Balazs Koranyi e Frank Siebelt

FRANKFURT (Reuters) - A variante Delta da Covid-19, de rápida disseminação, deve ter um impacto limitado na economia da zona do euro, que permanece a caminho de um crescimento robusto neste ano e no próximo, disse o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, nesta quarta-feira.

Com a Delta se espalhando pelo mundo, ações sofreram liquidação na semana passada em meio ao temor de que a variante pudesse prejudicar a recuperação mundial da pandemia e forçar os governos a reintroduzir medidas de restrição.

Mas Lane foi mais otimista e argumentou que uma campanha de vacinação avançada e medidas de saúde pública reforçadas estão fazendo da Europa uma exceção, enquanto outros países enfrentam novas pressões sob seus sistemas de saúde devido ao aumento de infecções.

"O fato dela (Delta) não ter exigido medidas mais amplas e de as medidas localizadas terem sido razoavelmente eficazes indica que, em termos econômicos gerais, o impacto é bastante limitado até agora", disse Lane à Reuters em entrevista.

Essa resiliência, junto a um segundo trimestre melhor do que o esperado, significa que o crescimento permanece na trajetória observada em junho, quando o BCE publicou as projeções econômicas pela última vez, acrescentou Lane.

O BCE prevê um crescimento de 4,6% neste ano e uma expansão de 4,7% em 2022.

"Eu diria que não estamos muito longe do que esperávamos em junho para o ano todo", disse Lane. "É um cenário razoavelmente bem equilibrado."

Mas Lane também alertou sobre os crescentes problemas que provavelmente restringirão a expansão após um segundo trimestre robusto.

"Parece que os gargalos serão mais persistentes do que o esperado", disse ele. "Também há alguma moderação na economia mundial, o que é natural. E a variante Delta, embora tenha um impacto mais limitado do que as ondas anteriores continua sendo um empecilho."

Com a economia se recuperando rapidamente, algumas autoridades defendem uma discussão sobre como encerrar o Programa de Compras de Emergência da Pandemia do BCE, de 1,85 trilhão de euros.

No entanto, Lane rejeitou esses pedidos dizendo que com o esquema de estímulo definido para durar até o final de março, no mínimo, é muito cedo para iniciar essa discussão agora.

Mesmo que termine até lá, a inflação deve permanecer abaixo da meta de 2% do BCE, de modo que o banco terá que manter algumas compras de ativos por meio de outro esquema. Isso significa que os mercados não precisarão de muito aviso, disse Lane.

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