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Com iPhone 11, Apple volta a demonstrar interesse no Brasil

Lucas Carvalho
Foto: Nasir Kachroo/NurPhoto via Getty Images
Foto: Nasir Kachroo/NurPhoto via Getty Images

O iPhone 11 marca uma profunda mudança de estratégia da Apple no mercado global de tecnologia - com atenção ao Brasil. O país voltou a despertar interesse da empresa norte-americana, que durante anos se comportou como se o mercado nacional não fosse prioridade.

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Segundo dados do fim de 2018 da consultoria Kantar, o iPhone responde por apenas 4,3% do mercado de smartphones do Brasil. No mundo, a empresa é a terceira marca que mais vende celulares, perdendo para a chinesa Huawei e a coreana Samsung.

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Mas o iPhone é o modelo único mais vendido do mundo, se comparado a cada aparelho individualmente das concorrentes, segundo a IHS Markit. Em termos de renda, a Apple é também a empresa que mais fatura com a venda de smartphones, principalmente por conta dos preços mais altos.

O Brasil, assim como outros emergentes, nunca foi o foco da Apple, que sempre apostou mais no mercado doméstico, os Estados Unidos, onde a empresa lidera com folga o mercado de smartphones. Por questões tributárias e simples estratégia, vender no Brasil nunca pareceu ser a prioridade da empresa.

Os preços praticados no Brasil são um grande exemplo. O iPhone X, lançado em 2017, foi anunciado por US$ 1.000 nos EUA e mais de R$ 7.000 no Brasil, ultrapassando, e muito, o valor da conversão direta e o acréscimo de impostos. Como comparação, o concorrente Galaxy Note 8, lançado no mesmo ano pela Samsung, também custava US$ 1.000 nos EUA, mas começava em R$ 4.500 no Brasil. O iPhone brasileiro é o mais caro do mundo.

Além disso, o Brasil costumava receber novos iPhones dois meses depois do resto do mundo. Até o ano passado, o lançamento nos EUA era feito em setembro e, por aqui, só em novembro. O país sequer era citado no palco do evento de lançamento entre os países a receber o smartphone depois dos EUA.

Novos ventos

Em 2019, porém, o cenário mudou. O iPhone 11 chegou por aqui menos de um mês após ser anunciado nos EUA. E o preço também sofreu uma leve queda. O antecessor direto, o iPhone XR, foi lançado no Brasil por R$ 5.200, enquanto novo modelo chegou em outubro por a partir de R$ 5.000.

Não é só a velocidade que mudou. Quem comprar o iPhone 11 ganha um ano grátis de Apple TV+, o serviço de streaming que a empresa criou para competir com a Netflix, e que estreia no Brasil junto com o resto do mundo, em 1 de novembro, por R$ 9,90 ao mês - mesmo preço da assinatura do Amazon Prime.

Neste ano, a Apple também ampliou as ofertas de compra: no varejo, é possível parcelar os novos smartphones em até 24 vezes (o máximo era 21 até o ano passado). Há também uma parceria com a operadora Vivo que dá desconto na troca de modelos antigos do iPhone pelo novo.

A nova estratégia coincide com o bom momento do mercado de celulares no Brasil. O setor registrou crescimento de 34% entre abril e junho, alta que não se via desde 2016. “O consumidor encontrou aparelhos com recursos novos, especificações bem diferenciadas e atributos muito esperados nos últimos meses”, explica o analista Renato Meireles, da IDC, em nota.

Mas não foi só com o Brasil que a Apple mudou de postura. No ano passado, ao lançar o iPhone XS, a empresa inclui pela primeira vez no portfólio um modelo diferenciado do celular somente para a China. Os chineses poderiam comprar o aparelho com um espaço extra para dois chips de operadora. E só os chineses.

A mudança de postura parece ter sido ensaiada já em 2017. Além de um iPhone especial para a China, a Apple também "inovou" no próprio portfólio e lançou uma variante mais barata, o iPhone XR, indo na contramão da evolução de preços do produto, que vinha ficando mais caro a cada ano.

O iPhone XR foi um sucesso de vendas: o mais vendido do primeiro semestre de 2019, segundo o IHS, contrariando uma tendência negativa para a empresa. No ano passado, a Apple registrou pela primeira vez estagnação nas vendas do seu principal produto e preocupou investidores: foi de 46,68 milhões de unidades vendidas no quarto trimestre fiscal de 2017 para 46,89 milhões no período seguinte.

Para tentar reverter a tendência, foi criado o modelo "acessível". O sucesso foi tanto que o iPhone XR virou o principal produto da empresa. Em 2019, o carro-chefe é o iPhone 11, um sucessor direto do XR, a julgar pelo preço e especificações, e não do XS, como se esperava. O modelo premium, de recursos mais avançados e preço mais alto, ganhou o nome de iPhone 11 Pro, e passou a ser vendido como item de luxo.

As decisões da área técnica também são exemplo dessa mudança de postura. O iPhone 11 Pro é o primeiro da empresa a vir com um módulo de câmera tripla, composto por três lentes de ângulos diferentes, depois que concorrentes como Samsung e Huawei, que nos últimos anos deixaram a Apple comendo poeira no mercado internacional, apostaram na mesma tendência.

Enquanto chinesas como Huawei e Xiaomi ganharam espaço em mercados valiosos como Brasil, China e Índia - emergentes, populosos e cheios de consumidores em potencial -, a Apple continuou com os olhos fixos nos EUA. Quando essa estratégia resultou em estagnação nas vendas, a empresa não quis esperar para ver a curva mudar de direção.

Procurada, a Apple não quis comentar a mudança de postura em relação ao Brasil, mas citou a leve redução de preço do iPhone como exemplo de comprometimento com o mercado tupiniquim. Resta saber se a nova estratégia vai resultar em melhores vendas para a empresa ou se é só uma "aventura".