Mercado abrirá em 3 h 46 min

Com hotéis vazios, setor de turismo global calcula perdas

Naomi Kresge, Flavia Rotondi e Richard Weiss

(Bloomberg) -- No lago de Como, no norte da Itália, a primavera normalmente significa o retorno dos turistas. Celebridades como George Clooney frequentam vilas à beira-mar, casais perambulam pelas ruas de paralelepípedos e feiras de design lotam quartos de hotéis com viajantes endinheirados. Este ano, por causa do coronavírus, donos de hotéis se perguntam se os turistas virão.

Hotéis da região registraram o cancelamento de mais da metade das reservas em três dias na semana passada em meio à propagação do vírus no norte da Itália, o maior surto fora da Ásia. Agora, proprietários esperam ansiosamente para ver o impacto nos importantes meses do verão.

“Tivemos nossos altos e baixos no passado, mas nada como isto”, disse Roberto Cassani, de 58 anos, presidente da associação de operadores de hotéis de Como. “Os turistas americanos, em particular, parecem vítimas de uma psicose coletiva. Estou realmente preocupado.”

Com a doença que surgiu na China e se tornou global, o setor de turismo enfrenta uma ameaça crescente. Muitos dos turistas chineses que impulsionaram a expansão do setor já haviam deixado de viajar depois que o governo “trancou” dezenas de milhões de pessoas e proibiu a venda de pacotes turísticos. A medida esvaziou hotéis em Macau, meca de cassinos, praias do sudeste da Ásia e eliminou filas do lado de fora das butiques Louis Vuitton em Paris.

Apesar da diminuição da contaminação na China, o vírus se espalha em outros lugares, como Coreia do Sul e Itália, que juntas registram mais de 8 mil do total global de cerca de 93 mil casos. Agora não são apenas os chineses que ficam em casa. Alemães e belgas estão repensando as viagens de esqui para a Itália. Japoneses cancelam visitas a Bali. Em jogo, está a receita de US$ 1,7 trilhão gerada pelo turismo internacional em 2018, segundo a Organização Mundial de Turismo da ONU.

É o maior revés para a indústria de viagens desde a crise que seguiu os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o surto da SARS e a guerra no Iraque dois anos depois.

A Associação Global de Viagens de Negócios diz que o coronavírus pode custar à indústria US$ 47 bilhões por mês. Companhias aéreas e operadoras de pacotes de turismo de pacote pintaram uma imagem igualmente sombria: a Associação Internacional de Transporte Aéreo prevê quase US$ 30 bilhões em vendas perdidas com voos.

--Com a colaboração de Corinne Gretler, Rodrigo Orihuela, Laura Millan Lombrana, Charles Penty, Sarah Muller, David Scanlan e Zoe Schneeweiss.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Naomi Kresge em Berlin, nkresge@bloomberg.net;Flavia Rotondi Rome, rotondi@bloomberg.net;Richard Weiss em Frankfurt, rweiss5@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Eric Pfanner, epfanner1@bloomberg.net, Marthe Fourcade

For more articles like this, please visit us at bloomberg.com

Subscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.

©2020 Bloomberg L.P.