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Com horário reduzido, bares no Rio relatam queda de até 80% no faturamento

LUÍS COSTA
·4 minuto de leitura

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A estátua de Cazuza no cruzamento da rua Dias Ferreira com a avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, zona sul do Rio, é símbolo de um dos mais famosos redutos gastronômicos e boêmios carioca. Na tarde deste domingo (14), o movimento era tímido nos bares e restaurantes da região. É o primeiro fim de semana após a Prefeitura ampliar o horário de funcionamento dos estabelecimentos, após uma semana de fechamento determinado às 17h. Em razão de decreto da Prefeitura que entrou em vigor na última sexta (12), bares e restaurantes da cidade estão funcionando em horário reduzido, das 6h às 21h, com atendimento presencial limitado a 40% da capacidade. Fora desse intervalo, são permitidos apenas serviços de entrega e retirada de pedidos. O decreto 4.086 é o segundo editado em março pela administração municipal como medida para conter o avanço de Covid-19 na capital fluminense. Até ontem, o Painel Rio Covid-19, da Prefeitura do Rio, confirmava 213.289 casos da doença na cidade, com 19.379 óbitos. A taxa de letalidade no município é de 9,1%, quase 4 vezes maior que a média nacional, de 2,4%. A ocupação de leitos de UTI na rede pública da cidade chega a 90%. Um primeiro decreto, de 4 de março, determinava o teto de 17h para o funcionamento de bares e restaurantes. No dia seguinte, após pedido da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Seccional do Rio (Abrasel-RJ), uma liminar expedida pela Justiça do Rio estendeu o horário até as 20h. A associação considerava a medida como "inócua" e "arbitrária". A liminar, no entanto, foi cassada no dia seguinte. Na última sexta, o novo teto de 21h passou a valer. Subgerente de um restaurante na rua Dias Ferreira, Alexandre Paiva diz que foi pego de surpresa com as mudanças sucessivas de horário. Segundo ele, no mesmo dia em que o teto de funcionamento permitido voltou para as 17h, com a cassação da liminar, agentes da prefeitura vieram fechar o bar quando ainda havia clientes no local. "Acredito que faltou um pouco de responsabilidade dos governantes quanto ao horário. Estávamos orientados para fechar às 20h. Foi uma situação bem desagradável", diz. Além de funcionários fixos, o bar também trabalha em regime de freelancers. "Recebo ligações de garçons todos os dias, pedindo por ajuda, uma cesta básica ou trabalho", afirma o subgerente. "Acho que seria mais efetivo a gente se proteger, como estamos fazendo, do que ficar em casa, sem receber e com as contas continuando a chegar", diz Paiva, que estima uma queda de até 60% no movimento de clientes desde a edição dos decretos. Perto dali, em um dos muitos restaurantes especializados em galetos na região, Francisco Mota acomodava clientes recém-chegados em mesas na calçada. "Não estamos trabalhando com fila de espera justamente para não aglomerar, não servimos mais clientes em pé e limitamos ao máximo de seis pessoas por mesa", afirma. Do lado de fora, segundo ele, o número de mesas caiu de oito para três. No salão principal, foi de dez para cinco. No tradicional Jobi, na Ataulfo de Paiva, os funcionários agora se revezam em turnos com horário de trabalho reduzido. Durante a vigência do primeiro decreto, com teto de 17h, um grupo precisou ficar em casa. Em 2020, férias coletivas e redução da jornada de trabalho contribuíram para que nenhum dos 30 funcionários fosse demitido. Aberto em 1956, o restaurante mantinha, antes da pandemia, as portas abertas até o amanhecer. De quinta a domingo, só encerrava as atividades às 6h. Desde o ano passado, as portas começaram a ser baixadas já no começo da madrugada. Segundo Elina Rocha, sócia do bar, o intervalo em que o bar agora está fechado em razão do decreto municipal representa no mínimo 80% do faturamento da casa. "É de apavorar", diz Rocha, que no dia anterior estava lançando as contas. "As contas não pararam. Não temos nenhum auxílio, os impostos estão aí para ser pagos, as mercadorias foram compradas." Apesar dos prejuízos, Rocha mantém o apoio às ações de contenção do contágio do coronavírus pela Prefeitura. "A gente tem que lutar contra essa pandemia e espera que isso passe o mais rápido possível", afirma. "A gente não é contra essas medidas. Precisamos vencer esse vírus. Mas também acho que só fechar bares e restaurantes até 17h, e deixar o resto do comércio e igrejas abertas, pode diminuir o contágio, sim, mas tem que ser para todo mundo, como foi no último decreto." Do outro lado da rua, no MicroBar, a ocupação habitual não chega nem ao percentual máximo exigido de 40% da casa, afirma a gerência, em nota por email. Com a queda no faturamento estimada em 20%, o restaurante reduziu a equipe, o que prejudica, segundo a casa, o controle das medidas de segurança. "Antes tínhamos uma equipe que permitia controlar pessoas em pé, pessoas sem máscaras. Atualmente não temos o 'luxo' de ter uma equipe grande o suficiente para garantir isso", afirma a nota. O restaurante continua com álcool nas mesas e nos totens, distanciamento entre as mesas, equipe com máscara e higienização regular de mesas, cadeiras e cardápios. "Só não temos mais 'babás' para cuidar de eventuais clientes que desrespeitam as regras 'sugeridas' pela Prefeitura, porque em momento nenhum foram impostas sobre a população."