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Com foco no dólar e comentários de Campos Neto, juros futuros fecham em alta

Victor Rezende

A taxa do DI para janeiro de 2021 subiu de 4,66%, no ajuste anterior, para 4,73% e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,39% para 6,51% Com comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a relação entre o câmbio e as expectativas de inflação no centro das atenções, os juros futuros encerraram o pregão regular desta quinta-feira (21) em alta expressiva, com forte recomposição de prêmio ao longo de toda a curva a termo. O dólar em torno de R$ 4,20 também contribuiu para a alta das taxas, assim como as idas e vindas relacionadas às negociações comerciais sino-americanas.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subiu de 4,66%, no ajuste anterior, para 4,73%; a do DI para janeiro de 2022 avançou de 5,28% para 5,41%; a do contrato para janeiro de 2023 saltou de 5,80% para 5,94%; e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,39% para 6,51%.

“A fala de Campos Neto foi o gatilho. Ele deixou claro que a intervenção para conter a inflação não seria feita no câmbio, mas, sim, nos juros. Como o dólar está em um nível bem mais forte do que antes do leilão da cessão onerosa, a leitura do mercado é a de que o BC vai cortar a Selic em 0,50 ponto percentual em dezembro e, depois, parar”, disse um gestor, que optou por não ser identificado. Ele destaca, principalmente, o maior prêmio de risco observado no miolo da curva.

Trader da Renascença, Luis Laudisio também atribui à fala de Campos Neto o movimento de ajuste nas taxas futuras, principalmente nos vértices mais curtos da curva, “que naturalmente reduziram as apostas de corte na Selic, dado o certo ‘desconforto’ com o câmbio”. Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch com gestores, divulgada neste mês, mostra que três quartos dos entrevistados acreditam que o dólar acima de R$ 4,20 poderia impedir a Selic de ir a níveis abaixo de 4,50%.

A perspectiva de inflação mais forte no curto prazo é vista como possibilidade real, não só por causa do câmbio mais desvalorizado, mas também, devido ao choque nos preços de proteína animal, que começam a ser repassados para os consumidores. “A demanda da China tem se mostrado bastante forte e só deve aliviar posteriormente. Não é uma inflação que vem e que fica, mas também não ajuda”, disse o gestor.

Além disso, a perspectiva de aceleração da atividade continua a ter o aval de indicadores econômicos, embora ainda em ritmo gradual. Nesta quinta-feira, foi a vez dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrarem que “a tendência de melhora gradativa começa a se afiançar”, disse o economista-chefe da Tullett Prebon, Fernando Montero. Isso, de acordo com ele, ocorre mesmo com a criação de empregos um pouco abaixo do esperado. O Caged reportou geração de 70.852 empregos formais líquidos em outubro, menos do que o esperado (+74,2 mil vagas).

No cenário externo, as negociações comerciais entre Estados Unidos e China também foram monitoradas. “O comércio voltou ao radar nesta semana, na medida em que passaram a circular informações sobre um possível atraso no andamento da ‘primeira fase’ do acordo comercial entre Estados Unidos e China”, disse Tom Porcelli, economista-chefe para EUA da RBC Capital Markets. De acordo com ele, há um indício de que 15 de dezembro seria a data limite para o acordo “porque há outra rodada de tarifas pronta para entrar em operação nesse dia”.