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Com fila por leitos zerada, Rio já fechou nove das dez alas de UTI Covid-19

·3 min de leitura

Cirurgião-geral de formação, o médico Bruno Sabino, de 35 anos, atuou como intensivista por um ano e meio no Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, na Zona Norte do Rio, transformado em unidade exclusiva de tratamento contra a Covid-19 em março do ano passado, pouco após o início da pandemia. No começo deste mês, devido à queda nos indicadores, o hospital foi reaberto para pacientes com outras doenças e, com isso, Bruno voltou a deparar com quadros que há muito não tratava: pneumonias de outras causas, infecções, atendimentos clínicos em geral. Depois de 18 meses trabalhando dia e noite na maior ala de coronavírus do município, o médico se prepara agora para voltar a fazer cirurgias eletivas, sua especialidade.

— Fico muito feliz pelo fato de a vacina ter ajudado tanto na queda dos números da Covid-19. Ainda não sei o que vem por aí: se é uma vida próxima à que existia antes ou se será mesmo um “novo normal”. Fato é que estamos bastante animados por ver o número de pacientes intubados diminuir tanto — conta.

A história de Bruno é a história de tantos outros médicos que foram convocados após a chegada do coronavírus e agora, com o arrefecimento da pandemia, se despedem dos setores dedicados à Covid-19, que também começaram a se desfazer. Ao longo deste mês, a prefeitura do Rio fechou nove das dez alas de UTI exclusivamente dedicadas à Covid-19 no município. A única exceção é justamente o centro de tratamento intensivo do Ronaldo Gazolla, referência na assistência a quadros da doença, onde ontem 75 dos 420 leitos estavam ocupados por pacientes com Covid-19.

Os leitos das demais alas — localizadas nos hospitais municipais Albert Schweizer, Evandro Freire, Jesus, Lourenço Jorge, CER Leblon, Pedro II, Rocha Faria, Salgado Filho e Souza Aguiar — estão sendo gradualmente reconvertidos para outras doenças. Dos mais de seis mil internados ontem nas 329 unidades municipais do Rio, 180 eram pacientes de Covid-19.

Em todo o Estado do Rio, mais da metade das cidades já não tem qualquer leito de UTI Covid-19, de acordo com o painel de monitoramento da Secretaria estadual de Saúde (SES). Dos 92 municípios do estado, 50 só mantêm vagas em enfermaria reservadas ao tratamento da doença. A lista inclui todas as 48 cidades que não registraram qualquer morte por Covid-19 no fim de setembro, como o GLOBO noticiou.

Ainda de acordo com o painel, o Estado do Rio teve ontem apenas 17 solicitações de leito reservado à Covid-19. É o menor número em 24 horas desde 18 de março de 2020, quando foram contabilizados 18 pedidos. A pandemia tinha sido declarada havia uma semana.

Embora reconheça que a situação da Covid-19 no estado esteja consideravelmente mais tranquila, a epidemiologista Gulnar Azevedo, do Instituto de Medicina Social da Uerj, ressalta que ainda não é possível considerar a pandemia controlada no Rio, tampouco no país.

— Ainda acontecem muitas internações e muitos óbitos por Covid-19 no Rio. Estamos falando de um vírus que surpreende, capaz de gerar novas variantes — salienta. — Precisamos aguardar que os indicadores cheguem ao nível mais próximo de zero possível para dizermos que a situação está controlada.

Na capital, de acordo com o 42º boletim epidemiológico da prefeitura, quatro indicadores da Covid-19 chegaram ao menor patamar desde o início da pandemia: internações, óbitos, casos notificados e atendimentos na rede de urgência e emergência por síndrome gripal (SG) e síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Além disso, segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a fila por leitos de UTI está zerada há mais de dois meses.

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