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Falta de semicondutores pode levar 60% da indústria à crise

·7 minuto de leitura
Escassez de matéria-prima força indústria a adaptar produção, rever lançamentos e reajustar preços.
Escassez de matéria-prima força indústria a adaptar produção, rever lançamentos e reajustar preços.
  • Principal obstáculo para a recuperação do setor para mais de 60% das indústrias;

  • Um dos setores que mais emprega está ameaçado com redução de componentes e preço subindo;

  • Entregas de semicondutores estão levando até 32 semanas e acompanham custos até 40% maiores;

Os fabricantes de eletrônicos, equipamentos médicos, automóveis e outros produtos industriais estão sendo obrigados a rever cronogramas de lançamentos, estocar peças e adaptar a produção por conta de problemas no fornecimento de matérias-primas e componentes, principalmente, semicondutores. Ao menos 60% dos empresários entrevistados apontaram a falta de insumos e a alta dos custos como os principais problemas que ameaçam a recuperação do setor, um dos que mais emprega, segundo a última pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A instituição ainda constatou que, com a redução da oferta de componentes, os custos estão subindo.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP), vinculado ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumula alta de quase 36%, que já começa a ser repassada para o consumidor em 12 meses. Só este ano, TVs e videogames, por exemplo, subiram 14,4% e 11,6% respectivamente. Segundo Renato Fonseca, economista-chefe da CNI, a taxa relacionada à falta de insumos ficava em torno de 18% em tempos normais. A carga tributária era a principal preocupação dos empresários antes da pandemia.

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A falta de componentes se tornou o problema mais citado nos últimos quatro trimestres. No terceiro trimestre do ano passado, a parcela da indústria sofrendo com o problema subiu para 57,8% e vem se mantendo acima de 60% desde o fim de 2020. Enquanto no segundo trimestre de 2021, ficou em 63,8%, com um leve recuo em relação aos 67,2% do início do ano.Os dados foram analisados pelo economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin. "Desde o último trimestre do ano passado, as sondagens vêm mostrando estoques abaixo do planejado. É um indicador de vulnerabilidade frente a qualquer demanda pontual inesperada. É um sintoma dessa situação”.

O primeiro setor a esboçar reação à crise do coronavírus foi a indústria, reflexo da desorganização de cadeias produtivas em todo o mundo provocada pelas restrições da Covid-19. Embora a escassez atinja matérias-primas de diferentes origens, a questão dos semicondutores é mais complexa. Como os chips são hoje parte essencial de diferentes tipos de produtos, a dificuldade global vem obrigando empresas dos mais variados setores a rever o cronograma de lançamentos, mudar processos de produção, buscar novos fornecedores e até reservar estoques para atender a todos os clientes. Os problemas na oferta desses componentes podem perdurar ao longo dos próximos dois anos, ao que tudo indica.

Semicondutores demoram 32 semanas para realizar entregas

De acordo com dados da consultoria IDC ( International Data Corporation), as entregas de semicondutores no Brasil estão levando até 32 semanas e vêm acompanhadas de custos até 40% maiores. Os reflexos econômicos começam a aparecer. Além da alta nos preços, a indústria praticamente não cresceu este ano, com a produção oscilando entre quedas e pequenas altas até maio, funcionando como um freio para a atividade.

Para Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro da FGV, a indústria tem demanda, mas com estoques baixos, não consegue atender por falta de insumo. Logo, com produção menor, temos menos Produto Interno Bruto (PIB). “É um cenário favorável para reajuste do preço dos bens duráveis. A inflação já está alta, estamos prevendo perto de 7% este ano, e tem mais essa pressão. Isso tira poder de compra e diminui o consumo”, afirma.

A Intelbras, uma das principais fabricantes de eletrônicos de segurança, energia e comunicação, se aproximou de parceiros tecnológicos para garantir prioridade no abastecimento. “Isso vem dificultando a geração de estoques e limita a expansão de linhas de produto como Redes e Câmeras IP”, revelou Ado Rafael Feijó, diretor de Suprimentos, que a estratégia foi antecipar os pedidos para ter mais clareza na entrega das quantidades e datas. Já na Philco, a crise dos semicondutores afetou o cronograma de lançamentos, segundo Wesley Cruz, de Desenvolvimento de Produtos: “Em alguns fornecedores, o tempo de entrega dobrou ou triplicou. Acho que só vai começar a melhorar no primeiro trimestre de 2022”.

Reajustes de até 30%

O dólar alto também influencia nos reajustes de até 30% dos fabricantes registrados no primeiro semestre do ano que já chegaram ao varejo na área de eletrônicos. O diretor-geral de Operações da Fast Shop, Eduardo Salem, rede com 85 lojas no país, disse que não há mais a falta de produtos vista no início da pandemia, mas reduções nos volumes. “Alguns fabricantes globais vêm priorizando os mercados mais desenvolvidos, onde a demanda já é maior, afetando assim os outros países”.

Uma das maiores fabricantes e comercializadoras de produtos de armazenamento de memória do mundo, a Kingston trabalha hoje com estoque de oito meses a um ano. “Preferimos vender menos e atender a todos os clientes. Se deixar, vendemos tudo em uma semana. Estamos fazendo esse controle e dando prioridade a projetos do setor de saúde e de videoconferência”, enfatizou ainda Paulo Vizaco, diretor executivo da Kingston Brasil, que a demanda do segmento de games, por exemplo, vem dobrando ano a ano.

Chip para todos

Os fornecedores de semicondutores também estão se adaptando. O diretor de Marketing da Intel, Carlos Buarque, disse que a oferta de chips só começa a se regularizar em 2023. Enquanto o ano não chega, a estratégia foi dar prioridade a segmentos como o de informática em geral e de servidores para empresas em detrimento de outros, como os de automóveis e de IoT (produtos conectados do segmento chamado de internet das coisas). “Passou a ter fila de espera em alguns setores. No caso de celulares, o impacto foi mais no volume de itens e não nos lançamentos. Não vendemos mais por falta de produção”, explicou Buarque, lembrando que a Intel está investindo US$ 20 bilhões na ampliação de duas fábricas nos EUA.

Na Qualcomm, outra gigante de tecnologia, a previsão é de que alguns setores enfrentem problemas até o fim de 2022. O CEO global Cristiano Amon diz que a companhia vem investindo no aumento de capacidade de fornecedores. A empresa, segundo ele, mudou processos para permitir que um mesmo produto pudesse ser produzido em duas ou três fabricas diferentes. “Se existir alguma empresa hoje no mercado de semicondutores que não tem problema de oferta, tem que ficar preocupado com essa empresa, porque há mais demanda que oferta em todos os produtos”.

Luz vermelha na área médica

Mais um setor a ser atingido com a falta de semicondutores é a área médica. Carlos Costa, sócio da LUX Healthcare, representante na América Latina da WV Medical, empresa que vende equipamentos médicos para Ásia, Europa e EUA, diz que os preços de equipamentos já subiram em média 50%. “O problema é que o preço subiu tanto que muitas empresas pararam de investir em novos equipamentos”.

O empresário lembra ainda do recente alerta do presidente global da companhia Phiplips Eletronics, Van Houten, de que o problema na indústria automobilística, que teve de parar sua produção, pode se repetir em equipamentos médicos. “Os principais fabricantes estão preocupados até porque não é algo simples aumentar a produção de chips. Existe todo um controle rigoroso. Um chip de US$ 50 defeituoso pode fazer um respirador de U$ 25 mil deixar de funcionar”.

Geopolítica e consumo

A escassez é fruto da mudança de comportamento das famílias, que estão consumindo mais aparelhos digitais, das empresas, que aceleraram a digitalização, e da disputa geopolítica pelo domínio tecnológico protagonizada por EUA e China. Além de ser um impacto da pandemia na produção global de semicondutores, um tipo de produto com baixo nível de estoque porque sofre atualizações tecnológicas constantes. Com isso, a questão passa a ser também de segurança nacional, como salienta o já citado Rafael Cagnin. “Essa indústria está no meio de uma disputa tecnológica cada vez mais relevante entre EUA e China por acesso a tecnologias, semicondutores e microprocessadores. Além das questões mercadológicas, há um caráter geopolítico muito forte”, conta o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

A produção global de chips está concentrada na Ásia e nos EUA. Para países emergentes como o Brasil, a situação fica mais difícil na disputa pelas peças cobiçadas, observa Reinaldo Sakis, da consultoria IDC. “É uma visão política também, já que o Brasil vai sendo preterido da lista. Os mercados emergentes estão sofrendo mais, pois a pandemia ainda está mais severa e com menor vacinação em relação aos países desenvolvidos”.

As informações são do jornal O Globo.

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