Mercado fechado

Com dólar a R$ 4,20, juros futuros fecham em alta

Victor Rezende

A perspectiva de aceleração da atividade econômica também esteve no radar dos investidores e ajudou a impulsionar as taxas Os juros futuros encerraram a sessão regular desta segunda-feira (18) em leve alta em reação ao comportamento do câmbio, com o dólar tocando o nível psicológico de R$ 4,20. A perspectiva de aceleração da atividade econômica também esteve no radar dos investidores e voltou a fortificar o cenário de uma Selic estável após dezembro, o que minou o fechamento da curva a termo observado no início do dia.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subiu de 4,64%, no ajuste anterior, para 4,65%; a do DI para janeiro de 2022 passou de 5,25% para 5,27%; a do contrato para janeiro de 2023 avançou de 5,75% para 5,77% e a do DI para janeiro de 2025 foi de 6,33% para 6,34%. No mesmo horário, o dólar era cotado a R$ 4,2005 (alta de 0,19%).

Após uma sexta-feira (15) com o mercado fechado por aqui, devido ao feriado da Proclamação da República, os juros futuros iniciaram a segunda-feira em queda e se mantiveram em baixa até momentos antes do fim da sessão regular, diante de um ajuste de posições dos investidores. Na ponta curta da curva, porém, as taxas oscilaram perto da estabilidade desde o início do dia, em reação a indicadores recentes, que reforçam a percepção de que a Selic pode ficar inalterada após um corte de 0,50 ponto em dezembro.

De acordo com o economista Altair Pereira, do Bradesco BBI, os setores de serviço, indústria e vendas no varejo mostraram retomada da atividade, “aumentando as apostas de que o fim do ciclo de afrouxamento monetário poderá estar próximo do fim”. No Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, embora as expectativas para o IPCA continuem em níveis confortáveis, o ponto médio das estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) do próximo ano passou de 2,08% para 2,17%, enquanto a mediana das projeções para a Selic no fim de 2020 caiu de 4,50% para 4,25%.

Em relatório, Pereira nota que as curvas dos títulos públicos subiram na semana passada, especialmente as NTN-Bs de longuíssimo prazo, o que aumentou a inclinação da curva de juro real. “Esse movimento ocorreu em razão da alta expressiva da inflação implícita de curto prazo, com a de dois anos subindo 14 pontos-base na semana, atingindo 4,12%, e alta de 55 pontos-base em um mês”, afirmou o economista do Bradesco BBI. Nos cálculos do banco, a inclinação da curva de juro real medida pela diferença entre o título de 10 e de 2 anos chegou ao maior nível desde outubro de 2018, em 195 pontos-base.

Apesar da inclinação recente nas curvas de juros, a equipe de estratégia do Morgan Stanley projeta um cenário de achatamento. “As declarações do Banco Central sugerem que o espaço para diminuir as taxas de juros neste ciclo a níveis muito mais baixos pode ser limitado”, afirmaram os economistas do banco americano. Para eles, a Selic deve cair para 4,25% em fevereiro e permanecer nesse nível até meados de 2021, ano que terminaria com juro básico a 5,50%. Apesar do crescimento acima do potencial, a inflação deve continuar comportada diante do amplo hiato do produto, pontua o Morgan Stanley.