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Com coronavírus, compra de insumo chinês para a indústria cai no RS

PAULA SPERB

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Os efeitos do novo coronavírus podem ter afetado as importações gaúchas, como consequência da interrupção das cadeias de suprimento. As compras de insumos e produtos da China caíram 17,7% no mês de fevereiro em comparação ao mesmo período de 2019, segundo a FIergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul).

Os itens com maior queda na importação, de acordo com a entidade, foram rolamentos e engrenagens, com diminuição de 35%, e peças para veículos automotores, com queda de 23,5%. A Fiergs afirma que "a eventual falta desses produtos tem o potencial de diminuir ou até paralisar linhas de produção no estado, mas a extensão desse impacto vai depender da velocidade de normalização do fornecimento nas próximas semanas".

Além desses itens, as importações que mais caíram foram de bens intermediários (20,7%) e de consumo (12,1%). Segundo a entidade, a queda da importação de bens de capital foi de 10,4%.

Não apenas as importações apresentaram queda. As exportações da indústria gaúcha diminuíram 29% no primeiro bimestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado.

A redução das exportações, porém, ainda não tem relação com o novo coronavírus, diz a entidade. Entretanto, as exportações para a China, o maior comprador de produtos do estado, caíram 57,9% no primeiro bimestre de 2020 em relação ao primeiro bimestre do ano anterior.

Para a Fiergs, a queda tem relação com os embarques antecipados de tabaco entre agosto e novembro passados. Descontadas as vendas de tabaco, a queda de exportação para a China foi de 38,7%.

Vai morrer mais gente por causa da crise econômica causada pelo covid-19 do que propriamente pelo doença. Esta é a opinião do economista-chefe da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Antônio da Luz.

"As bolsas não caem por causa do coronavírus, caem como reflexo da queda na atividade econômica, pela desaceleração da economia, pelas projeções que mudam a cada dia. O dinheiro para um remédio, para o hospital não surge do nada. Surge do processo produtivo: a empresa vende, o consumidor compra, paga imposto e gera arrecadação. Se não tem gerador de imposto, com empresas paradas pelo coronavírus, não tem o dinheiro. Crises econômicas matam muito", disse Luz.

Segundo a Farsul, a taxa de câmbio tem efeito positivo em um primeiro momento nas commodities, mas tem "efeito terrível" nos custos de produção. "O agricultor planta com custos de produção com dólar a R$ 5, mas quando colhe [o dólar] poderá estar a R$ 4, R$ 3,80. Isso traz incerteza e ansiedade", explica o dirigente da Farsul.

No Rio Grande do Sul, o governo de Eduardo Leite (PSDB) não anunciou nenhuma medida econômica relacionada aos impactos da pandemia na economia.

O economista da Farsul diz que as principais medidas que governos estadual e federal podem tomar não são aumentos de gastos, mas, por exemplo, "abrir mão temporariamente da tributação da folha de pagamento para que não comece uma onda de demissões de novo no Brasil".