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Com avanço da crise, 72% dos brasileiros pretendem cortar gastos, diz McKinsey

Gustavo Brigatto
Aeroporto internacional de Belém recebeu ação de descontaminação no último domingo (29) (Photo: Filipe Bispo/Fotoarena)(Sipa via AP Images)

Com o avanço do novo coronavírus e as restrições de locomoção, os brasileiros estão cortando gastos em ritmo mais acelerado do que no início do mais recente período de turbulência econômica, em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

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Segundo pesquisa feita pela consultoria McKinsey, sete entre dez pessoas (72%) dizem que deixaram de gastar nas últimas semanas. Para efeito de comparação, no começo de 2015, o percentual era de 51%, caindo para 44% em 2019.

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“Os efeitos da epidemia foram sentidos de forma muito rápida – todo mundo voltou do Carnaval vendo notícias lá de fora, mas tranquilo com a situação daqui – e de forma muito tangível com a quarentena”, avalia Tracy Francis, sócia sênior da McKinsey.

Outra medida da preocupação é que quase três quartos das pessoas (79%) dizem acreditar que precisam ser cautelosas com a forma como gastam dinheiro, um aumento significativo em relação a setembro, quando o percentual era de 54%.

Isso pode ser explicado pelo fato de mais de dois terços das pessoas (64%) dizerem que seus empregos estão menos seguros por conta da covid-19.

O impacto na renda, como já se tem percebido, é maior nas classes mais baixas. No público das classes B2, C2 e C1, a situação atual afetou os ganhos de 58% nas últimas duas semanas e tende a crescer para 65% nas próximas duas.

Entre os mais abastados, o movimento é semelhante, com o efeito passando a ser sentido de menos da metade (48%) para quase dois terços (57%) das pessoas.

De forma geral, os brasileiros estão pouco otimistas com as perspectivas de recuperação. Para mais da metade das pessoas (51%), a economia nacional sofrerá os efeitos da atual situação por um prazo de seis meses a um ano.

Outros 24% dizem acreditar que o impacto será de longo prazo. Já para um quarto das pessoas que mantém o otimismo, a recuperação virá em um prazo de dois a três meses.

Por ainda estar entrando no período mais problemático da epidemia, o Brasil tem um índice de otimismo mais alto que a Itália e a Espanha, que estão sofrendo mais no momento. Naqueles países, o otimismo está em 13% e 19%, respectivamente.

Na China, por outro lado, com o aparente controle no número de novos casos, as avaliações estão em alta, com 48% de otimismo.

De acordo com Fernanda Hoefel, sócia da McKinsey, o quadro que parece se mostrar é esse, de otimismo antes da epidemia avançar, com aumento do sentimento negativo crescendo em meio ao ciclo e melhora da percepção depois.

Entretanto, o fato de o brasileiro ter menos poupança que o chinês pode fazer com que o impacto sobre as famílias seja maior, e a recuperação demore mais para chegar. A McKinsey planeja atualizar os dados do Brasil toda semana, como vem fazendo nos outros países.

Durante a quarentena, a McKinsey detectou que os brasileiros pretendem aumentar em 25% os gastos com compra de comida – com destaque para o aumento de 111% na compra de grãos –, em 8% com produtos para casa, em 6% com entretenimento em casa e em 1% com produtos de higiene pessoal.

De acordo com Fernanda, essa é uma característica única do brasileiro, já que, em todo o mundo, os gastos com produtos de higiene apresentam queda.

As compras on-line têm crescido, mas não no ritmo necessário para compensar o varejo físico. Na avaliação de Fernanda, o fato de muita gente ter seu primeiro contato com o mundo digital neste momento, até por ele ser a única opção de compra, tende a acelerar a adoção desse canal depois da crise.

Tudo vai depender da facilidade de uso e experiência que os consumidores tiverem neste momento, avalia.

“Na Itália a intenção de fazer compra de comida on-line era alta antes da epidemia e caiu mais recentemente porque os prazos de entrega estão muito altos. Já na China, quase metade das pessoas que diziam querer ampliar as compras pela internet mantém essa intenção”, diz.

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