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Com apoio de ala moderna do agro, novo ministro é visto como nome mais plausível

·4 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Antes de conhecer Ricardo Salles, o então recém-eleito presidente Jair Bolsonaro planejava a extinção do Ministério do Meio Ambiente -e o setor que o convenceu do contrário foi justamente o agronegócio. Enquanto o projeto antiambiental do governo continua em pauta -e com a maioria do Congresso ao seu lado-, o novo ministro do Meio Ambiente pode evitar "boiadas" e conseguir parcerias plausíveis com o Ministério da Agricultura -algo que Salles, apesar do discurso em favor do agro, nunca conseguiu.

Diferentemente de Salles, que deixou o comando do Ministério do Meio Ambiente (MMA) nesta quarta (23), o novo ministro, Joaquim Álvaro Pereira Leite, tem experiência técnica na área de clima e sustentabilidade e conta com a confiança de setores mais modernos do agronegócio, que já haviam desistido de conversar com Salles.

Diante dos prejuízos de imagem e de relações comerciais causados pelo aumento das queimadas e do desmatamento na Amazônia nos últimos dois anos, a ministra Tereza Cristina (Agricultura) precisou reforçar as reuniões com países importadores das commodities agrícolas para evitar a concretização das ameaças de boicote do produto brasileiro.

Embora faça seu discurso em favor do agronegócio, Salles esteve ligado a nomes mais ideológicos e considerados retrógrados, entre eles o secretário de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia. Para os setores mais modernos e ligados à exportação, Salles foi visto desde o início da sua gestão como alguém que atrapalha os negócios.

Quando chegou ao MMA para dirigir o departamento florestal, em julho de 2019, Joaquim Leite foi celebrado como um nome de confiança para atores do agronegócio moderno. Com experiência anterior em uma consultoria de manejo sustentável e mercado de créditos de carbono (que remunera projetos benéficos ao clima), Leite foi produtor de café e conselheiro da Sociedade Rural Brasileira.

Embora não seja um nome que conte com a credibilidade dos ambientalistas -aos quais o presidente Bolsonaro não consideraria agradar-, Leite é visto por críticos de Salles dentro do governo como um nome mais plausível, que não deve investir em polêmicas e com quem poderá haver mais diálogo.

Sem flertar com o negacionismo e de olho nas relações internacionais, o reduto pragmático do governo pode ganhar uma força na redução de danos.

Os diferenciais, no entanto, não representam facilidades para a nova gestão. Afinal, já é conhecido o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro de não admitir ser contrariado pelas ideias de quaisquer ministros. Esse é um dos pontos em que a relação de Salles e Bolsonaro se fortaleceu. Sem farpas, a dupla só trocou elogios.

No comando do MMA, o advogado Salles representou os interesses do seu cliente, o presidente da República, sem se ater a posições próprias sobre a ocorrência das mudanças climáticas, o recebimento de doações internacionais ou a autoria das queimadas na Amazônia. Executou o projeto de desmonte do ministério com reconhecida competência -destacada pela antológica reunião ministerial de 22 de abril de 2019, quando propôs que o governo aproveitasse a atenção do país voltada à pandemia para passar a "boiada", desregulamentando e flexibilizando normas.

Na saída, Salles usa estratégia semelhante para jogar com a atenção do público e permanecer como um ídolo bolsonarista. Dessa vez, foi ele o "boi de piranha", sacrificando o cargo para que o governo sobreviva em meio ao agravamento das denúncias da CPI da Covid.

A força política da sua saída é incoerente, no entanto, com o que lhe aguarda na Justiça, em que dezenas de processos acusam sua gestão de atentar contra a função do MMA e o interesse público, em nome de benefícios privados. Salles estava cercado pelas boiadas que promoveu.

A investigação da Polícia Federal que o acusa de facilitar o contrabando de madeira ilegal descreve um modo de atuação praticado em toda sua gestão, e não apenas no caso investigado.

A receita já havia sido testada na secretaria estadual em São Paulo e virou padrão no MMA: começa com reuniões com representantes do setor privado e segue para o ajuste das normas conforme as demandas particulares, a despeito de apontamentos do corpo técnico -que, por sua vez, é perseguido quando discorda e promovido quando facilita o processo.

Um exemplo claro aconteceu no último setembro, quando o Conselho Nacional do Meio Ambiente, sob o comando de Salles, revogou diversas normas ambientais, como a proteção a mangues e restingas, atendendo a demandas de associações do setor privado. A ação foi revertida após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que desde o início do governo Bolsonaro já recebeu mais de vinte ações ligadas à área ambiental.

Como o agora ex-ministro disse acertadamente naquela reunião ministerial, "tudo que a gente faz é pau no Judiciário no dia seguinte". A sombra das boiadas deve lhe acompanhar na Justiça.

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