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Com alta no juro nos EUA e vacinação, ações queridinhas da pandemia perdem vez

JÚLIA MOURA
·4 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - À medida que investidores vislumbram o fim da pandemia, com o avanço da vacinação em países como Inglaterra e Estados Unidos, empresas queridinhas durante o isolamento social perdem espaço na carteira dos investidores. Ações da companhia de chamadas virtuais Zoom, por exemplo, que se valorizam mais de 200% desde março passado, caem 12,7% neste mês, ficando longe do pico de US$ 568 de outubro. O Mercado Livre cai 11,5% em março. Em 2020, porém, subiu 193,4%. Na Bolsa brasileira, a B2W, operadora de Submarino, Shoptime, Americanas.com, cai 23,9% neste mês, após subir 20,7% em 2020 e 8,45% nos dois primeiros meses de 2021. "Agora, com economias reabrindo, estas empresas [beneficiadas pela pandemia] são penalizadas pois investidores voltam a olhar para a velha economia, como empresas de commodities e do setor elétrico e bancos", diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável e sócio da Veedha Investimentos -grande parte de ações destes setores tem se recuperado em março. Além da troca de ações de ecommerce por setores mais tradicionais, a B2W também se desvaloriza pelo balanço referente ao quarto trimestre de 2020 não ter animado investidores. Segundo a XP, o crescimento das vendas da varejista medido pelo GVM (sigla em inglês para volume bruto de mercadoria) foi fraco no quarto trimestre (38% na comparação anual) e abaixo de concorrentes como Mercado Livre (84%) e Via Varejo (106%). As ações da Via Varejo, por sua vez, têm um desempenho singular dentre os pares. Sobem 2,44% em março, após queda de 14% nos doze meses anteriores. Segundo analistas, a dona das Casas Bahia está mais atrasada que a concorrência na transformação digital com foco no ecommerce. Já a empresa de software Totvs recua 7,9% em março, após alta de 33,5% no ano passado e de 9,3% em janeiro e fevereiro. A Locaweb, empresa de hospedagem de sites, serviços de internet e computação em nuvem, cai 16% em março, após um salto de 567,4% em entre a estreia na Bolsa em maio de 2020 e fevereiro deste ano. Segundo especialistas, além da vacinação em massa nos EUA, o que leva investidores a precificarem o fim da pandemia, a alta no juros dos títulos do Tesouro americano também contribuem para este movimento. No último mês, a remuneração anual do título do Tesouro dos EUA de dez anos subiu de 1,407% para 1,723%, aumentando a atratividade destes produtos, que receberam um fluxo de capital que estava alocado em ações. Outro ponto desfavorável ao setor de ecommerce e tecnologia é a valorização expressiva que estes papéis apresentaram recentemente, o que os deixou caros aos olhos de investidores. "Além de terem maior vantagem competitiva [durante o isolamento social], também vimos um movimento de manada e a valorização pode ter sido exagerada", diz Arthur Constancio, especialista de produtos e alocação na BlueTrade. Por outro lado, empresas líderes no setor -e com valorizações expressivas na Bolsa-, como Magazine Luiza e Amazon, tiveram uma correção menor. A ação do Magazine Luiza se desvaloriza 7,8% em março, contra uma alta de 91,45% nos 12 meses imediatamente anteriores. "É difícil a Magalu terminar a pandemia pior do que estava antes. Muita gente passou a usar o ecommerce e a volta para as vendas físicas será mais complicada", afirma Constancio. A Amazon recua 0,6% em março, após alta de 64% nos últimos 12 meses. Do mesmo modo, a queda de empresas como Zoom e Netflix, que se beneficiaram com a pandemia, é limitada, pois são hábitos que tendem a resistir ao fim da pandemia. Segundo estimativa da XP, o ecommerce deve crescer 32% em 2021, puxado pelos setores que tiveram desempenho mais tímido em 2020. "Enquanto serviços e consumo discricionário foram deixados de lado, as categorias de alimentação e casa se destacaram. Isso reflete as restrições impostas pela pandemia, fazendo com que as pessoas ficassem mais em casa e, portanto, investissem nelas através de reformas ou troca de eletrodomésticos/móveis", diz relatório da corretora em fevereiro. De acordo com dados da Ebit/Nielsen citados pelo relatório, o ecommerce cresceu 41% em 2020 com relação ao ano anterior, atingindo R$ 87 bilhões com uma penetração de cerca de 9%. "Ainda é muito pouco se compararmos com os números de outros países, sendo a China a líder, com uma penetração de 35%, seguida pelo Reino Unido e Coreia do Sul com 22%", diz a XP. Para escolher em quais empresas investir, porém, é necessário analisar não só as perspectivas para o setor, mas as para a economia e para o consumo do país, além de calcular o preço do papel em relação ao lucro estimado para a companhia. "A preocupação do investidor tem que ser comprar bons negócios com perspectiva de lucro a um preço justo", diz Constancio, da BlueTrade.