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Com 3º tri mais forte, Barclays revisa queda do PIB em 2020 de -5% para -4,4%

Arícia Martins
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Estimativa para o próximo ano foi mantida em avanço de 3,5% A última rodada de indicadores de atividade confirmou que a recuperação da economia brasileira persistiu em agosto e apontou um terceiro trimestre mais forte, na avaliação do Barclays. Em relatório divulgado hoje, o economista-chefe para Brasil do banco, Roberto Secemski, informa que passou a prever queda de 4,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano. A projeção anterior era de recuo de 5%. Além do Barclays, XP e o ASA divulgaram ontem uma expectativa melhor para o crescimento neste ano. Com mais dados disponíveis para os três meses terminados em setembro, a expectativa agora é que o PIB cresça 8% em relação ao segundo trimestre, feitos os ajustes sazonais, aponta Secemski — acima dos 6,7% previstos anteriormente. O processo de retomada, no entanto, segue desigual entre os setores econômicos, pondera. Em agosto, menciona o economista, o volume de vendas no varejo restrito (não inclui automóveis e material de construção) aumentou 3,4% frente a julho na comparação dessazonalizada. Com esse desempenho, diz, as vendas estão 8,2% acima do nível pré-pandemia, tomando fevereiro como base. “A reação rápida provavelmente é explicada pelas consideráveis transferências fiscais para trabalhadores informais”, comentou. Ainda como exemplos de setores que estão em trajetória mais acelerada de retomada, o economista destaca o volume de vendas do varejo ampliado, que considera as vendas de veículos e material de construção, e a produção industrial. Em agosto, o primeiro segmento superou em 2,2% o patamar de vendas anterior às medidas de quarentena, observou. Já a indústria ainda está com nível de produção 2,6% abaixo de fevereiro, distância considerada pequena por Secemski. Nos serviços, porém, a retração é bem maior na comparação com o mês que antecede a pandemia, de 9,8%, ressalta o economista-chefe para Brasil do Barclays. “A recuperação nos serviços continua lenta, dada a natureza das restrições relacionadas à pandemia, ainda que elas continuem sendo gradualmente reduzidas”, disse Secemski. Para 2021, a instituição manteve a estimativa de alta de 3,5% do PIB. Segundo o economista, a expansão será ajudada pelo expressivo carregamento estatístico deixado pelo segundo semestre de 2020. Por outro lado, Secemski pondera que as incertezas sobre a criação de um programa de transferência de renda e consequentes pressões sobre o teto de gastos poderiam ser um risco de baixa ao crescimento do ano que vem, caso a única âncora fiscal do país seja abandonada.