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Com 2 ouros, australiana 'exterminadora' ofusca Katie Ledecky em Tóquio

·4 minuto de leitura

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Ariarne Titmus, 20, afirma que uma de suas virtudes é não mostrar emoção. Considera que a frieza é fundamental na natação. A capacidade de se controlar nos melhores ou piores momentos, na calma ou na pressão.

Os jornalistas que a acompanham de perto ficaram surpresos com as lágrimas da nadadora no pódio dos 200 m livre na noite de terça (27).

"Eu sempre fui muito boa em controlar as emoções, mas não resisti", afirmou após conquistar seu segunda ouro nas Olimpíadas de Tóquio.

A australiana de 20 anos se tornou um dos principais nomes dos Jogos não apenas por causa desse par de vitórias. Ela também colocou duas vezes no "bolso do maiô" a maior nadadora da atualidade, a americana Katie Ledecky, 24.

As atletas saíram abraçadas da piscina quando Ariarne surpreendeu na final dos 400 m livre no domingo (25). Ledecky ficou com a prata. Nos 200 m, nem isso. A americana terminou em quinto.

Horas depois, Ledecky obteve seu primeiro ouro no Japão, nos 1.500 m. Mas ela chegou a tal ponto na carreira que deixar o país asiático apenas com isso será pouco.

Ledecky desembarcou em Tóquio com o status de quase imbatível e dona de cinco medalhas de ouro, espalhadas entre Londres-2012 e Rio-2016. Jamais havia sequer perdido uma final olímpica individual, que dirá ficar fora do pódio.

Agora já foi superada duas vezes. Ambas pela nadadora nascida na Tasmânia, estado insular da Austrália, mais conhecida no Brasil por causa do mamífero diabo-da-tasmânia, que virou personagem dos Looney Tunes.

Na adolescência, a família decidiu se mudar para Queensland para que a garota de 14 anos tivesse melhores condições de treinar.

"O que ela já fez foi extraordinário. Compensou toda a mudança que decidimos fazer quando ela era uma adolescente. Não era o caso de esperar alguns meses e decidir. Não havia tempo. Resolvemos tudo de uma hora para a outra e fomos", disse seu pai Steve Titmus para o podcast The Tokyo Daily.

No visual, Ariarne não se distingue muito das demais nadadoras da equipe olímpica australiana. Loira, forte no torso e sempre a caminhar de maneira apressada, fala baixo e dá risada quando está ao lado de alguma colega ou de funcionária do comitê olímpico do país. Ela não chamou a atenção nem de Ledecky, que não a citou com uma de suas principais rivais em Tóquio.

Mas após as primeiras provas, a americana logo percebeu o surgimento de uma possível rivalidade entre elas. No início, graciosa ao ser batida, disse "não ser nada do outro mundo" ficar com a prata. O quinto lugar doeu. Citou que, eventualmente, a australiana também vai cometer erros, como todas as outras.

Ledecky esperava em Tóquio consolidar seu domínio sobre as provas individuais da natação feminina. Corre o risco de ver essas Olimpíadas entrarem para a história como os Jogos de Ariarne Titmus.

Nos próximos dias, a rivalidade pode ficar ainda mais acirrada, para diversão de quem assiste e regozijo de patrocinadores do esporte, os que sempre ganham muito mais dinheiro com duas protagonistas do que com uma só.

As duas devem se encontrar pela terceira vez nons Jogos de Tóquio na final dos 800 m livre. As primeiras eliminatórias acontecerão na manhã (de Brasília) desta quinta-feira (29). Ariarne nada a terceira qualificatória, marcada para acontecer às 7h22. Ledecky cai na piscina em seguida.

Elas podem até estar nas raias da final do revezamento 4 x 200 m, que acontece na madrugada desta quinta, às 0h31, mas nenhuma delas nadou a semifinal por suas equipes.

Ledecky fez parte do time que ficou com a prata na Rio-2016 nessa prova. Até aparecer Ariarne, era sua única medalha não dourada.

As Olimpíadas de Tóquio têm a chance de despertar, em provas individuais, a mesma rivalidade existente entre Austrália e Estados Unidos nos revezamentos. Uma espécie de Brasil e Argentina da natação, em que os dois países lutam pela soberania desde o nascimento da modalidade.

Antes do evento deste ano, as duas nadadoras haviam se enfrentado apenas uma vez. Ledecky venceu nos 800 m do Mundial de 2019.

"Eu sou uma corredora", se definiu Ariarne já durante os Jogos no Japão. Para a imprensa australiana, ela tem outro apelido: "Exterminadora".

A experiência olímpica tem sido tão especial para a australiana que até seu técnico protagonizou um dos momentos icônicos das Olimpíadas.

A comemoração ensandecida de Dean Boxall quando a pupila conquistou a medalha de ouro na final dos 400 m livre foi mostrada ao redor do mundo, com a voluntária japonesa querendo pedir para ele recolocar a máscara, mas sem coragem para fazê-lo.

Ariarne Titmus acredita ter chorado no pódio dos 200 m porque sabia que não haveria outra prova no dia seguinte para nadar. Isso a fez relaxar. Disse aquilo como se sentisse a necessidade de justificar a própria emoção.

Talvez tenha sido a maneira como aconteceu. A australiana ficou atrás o tempo inteiro e apenas nos segundos finais passou à frente e bateu antes de Bernardette Haughey, de Hong Kong. Uma virada como a protagonizada no passado por Michael Phelps, dono de 28 medalhas olímpicas.

Do alto do Centro Aquático de Tóquio, na posição de comentarista da NBC, ele viu as lágrimas e a glória da australiana no pódio.

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