Mercado fechado

Comércio vê lojas vazias às vésperas do Natal

FERNANDA BRIGATTI
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O medo diante da alta no número de contaminados pelo coronavírus e das imagens de ruas abarrotadas afastaram os consumidores do comércio de rua antes mesmo de o governo paulista anunciar o endurecimento nas restrições para o funcionamento de atividades não essenciais. Para os lojistas de shoppings, os dias a menos de lojas abertas entre 25 e 27 de dezembro e de 1° a 3 de janeiro reduzirão o já baqueado faturamento de um ano ruim. Na região do Brás, importante polo têxtil na região central de São Paulo, o movimento já vinha caindo desde o dia 10, segundo Lauro Pimenta, conselheiro executivo da Alobrás (associação de lojistas). "Contávamos com esse último sábado de vendas, mas é verdade que a situação já estava complicada", afirma. "O Brás foi o bairro mais mostrado [no noticiário] e isso afastou o cliente, principalmente o que vem com a família e gasta mais", diz Pimenta. Na avaliação dele, os lojistas tiveram de competir com os vendedores ambulantes que, além de terem preços menores, ocupam calçadas, colaborando para as aglomerações. No Bom Retiro, outra região forte no comércio de roupas, as vendas chegaram a melhorar em novembro, mas o último mês de 2020 não empolgou o consumidor. "As vendas já não vinham sendo fantásticas", diz Nelson Tranquez Jr, do CDL Bom Retiro. "Os dias 26 e 2 eram dias de troca [de presentes]. Há perda, mas considerando o que tem acontecido neste ano, é menos ruim. Seria pior se fossem duas semanas de restrição." O movimento na região, explica, é muito puxado por comerciantes de outras cidades que buscam formar estoques de acordo com o calendário de eventos. Neste fim de ano, com o cancelamento de festas, como as de réveillon, houve pouco estímulo às compras. Além disso, a percepção na região é a de que os consumidores estão receosos com o aumento de casos e inseguros com a economia. Em dezembro, segundo sondagem da FGV, a confiança do consumidor caiu pelo terceiro mês seguido, puxado pela piora na percepção dos consumidores em relação ao momento e das expectativas para os próximos meses. Nos shoppings, o efeito deve ser mais dramático, segundo entidades do setor. Nabil Sahyoun, da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), diz que os cinco a seis dias sem faturamento obrigarão os lojistas a rever a previsão de queda nas vendas, já em 20%. "Vamos tentar sensibilizar o governo do estado de não tratar os shoppings como se trata uma 25 de Março [região central da capital", diz. "Não há aglomeração em shopping." Tito Bessa Jr, presidente da Ablos (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites), diz que a decisão de restringir as atividades "não tem lógica". Segundo ele, de 15% a 20% do faturamento das lojas menores em dezembro vêm desses dias, estimulado pelas trocas de presentes, que acabam gerando novas compras. Para o assessor econômico da FecomercioSP, Fabio Pina, a medida representará um grande sacrifício para o comércio, mas a decisão do governo paulista poderá evitar restrições mais duradouras. "Entendemos que o ideal seria reforçar a fiscalização de festas e de atividades informais, pois, ao contrário do que acontece no comércio, eles não cumprem protocolos de segurança, criando uma grande injustiça", afirma