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Colombianos voltam a protestar contra Duque, apesar de atos sangrentos

·4 minuto de leitura

Dezenas de milhares de manifestantes voltaram às ruas da Colômbia nesta quarta-feira (12) para protestar contra o governo e os abusos policiais, em meio à crise que eclodiu há duas semanas devido à deterioração social agravada pela pandemia.

Em Bogotá, Medellín e Cali, entre outras partes do país, continuaram nesta quarta as marchas exigindo novas políticas do presidente conservador Iván Duque.

"O que o país vive é uma situação de extrema desigualdade", afirmou Luis Carlos García, professor universitário de 35 anos, que saiu para protestar com seu filho de quatro anos nas ruas da capital colombiana. "E a única coisa que recebemos, quando dizemos legitimamente que isso não é justo, é a violência do Estado", declarou à AFP.

Milhares de pessoas cercaram o monumento Los Héroes, no norte de Bogotá, com bandeiras da Colômbia, música e cartazes contra a tropa de choque da polícia. Os manifestantes desenharam uma caveira em alusão ao presidente e a frase "inimigo público".

No centro da cidade, indígenas lideraram um ato simbólico para mudar o nome da avenida Jiménez de Quesada - fundador de Bogotá - por "AV Misak", em homenagem à sua comunidade. Na sexta, eles já tinham derrubado uma estátua do mesmo conquistador espanhol. O sistema de transporte coletivo está "quase paralisado pelas passeatas", segundo a prefeitura de Bogotá.

Os colombianos completam 14 dias de mobilização social, com alguns mais intensos que outros, apesar da morte de 42 pessoas (um agente das forças de segurança e 41 civis), segundo a Defensoria Pública, que zela pelos direitos humanos.

Tratam-se das manifestações mais violentas enfrentadas por qualquer governo recente neste país de 50 milhões de habitantes, empobrecido pela pandemia e onde a violência financiada pelo narcotráfico desfaz a ilusão de paz, mesmo após o histórico acordo de paz com a extinta guerrilha das Farc.

- Negociações -

No poder há quase três anos, Duque é alvo de enormes protestos desde 2019 e, após alguns períodos de trégua, provocou a ira popular com um projeto legislativo que determinava um aumento de impostos.

Por fim, pressionado pelo grito das ruas, teve que retirar a proposta com a qual tentava amenizar o efeito devastador da emergência de saúde que deixa quase 80 mil mortos em um ano.

No entanto, a reação das forças de segurança alimentou o descontentamento. Desde então, as manifestações se multiplicaram, sem uma agenda ou liderança definida. No fundo, reivindicam um país mais justo e um Estado mais solidário, sobretudo com jovens e idosos, e que garanta a vida e a segurança.

"Nos responderam com soluções temporárias (...) Então a marcha vai continuar", disse o estudante Miguel Quiñones, de 22 anos.

Na segunda-feira, Duque se reuniu com a organização de manifestantes de maior destaque, o Comitê da Greve, mas as partes não chegaram a um acordo para acalmar a crise, que paira sobre a Copa América 2021 de futebol, prevista para acontecer no país e na Argentina entre 13 de junho e 10 de julho.

"Vou pôr toda a minha energia, toda a minha capacidade e toda a minha equipe de governo para que este processo (de negociação) termine bem", disse o presidente durante um encontro com estudantes em Bogotá nesta quarta.

- Pelos "companheiros mortos" -

ONGs documentaram vários abusos policiais e as denúncias ganharam eco na comunidade internacional, que, liderada pelos Estados Unidos, pediu moderação às forças públicas. Uma enxurrada de vídeos aponta para a suposta responsabilidade de policiais em ataques a tiros contra manifestantes, assim como de civis armados.

A organização Temblores registrou nessas duas semanas de distúrbios 1.956 casos de violência estatal, com 40 homicídios em que "o suposto agressor é membro da força pública".

Por sua vez, a assessora presidencial de Direitos Humanos e Assuntos Internacionais, Nancy Gutiérrez, reconheceu nesta quarta 35 óbitos "no âmbito da contingência social".

Duque disse nesta quarta-feira ter "tolerância zero" com os abusos policiais e pediu para "não generalizar".

"É injusto assinalar todo aquele que se expressa pacificamente nas ruas como um vândalo (...) como também é injusto generalizar o comportamento de todos os membros da força pública", assegurou.

Segundo cifras oficiais, há 65 ações disciplinares contra os agentes: 8 por homicídio, 11 por agressão física, 27 por abuso de autoridade e 19 por outras ações. Na segunda-feira, a polícia anunciou a suspensão de cinco policiais.

Salomé Beltrán, universitária de 20 anos, espera uma mensagem mais contundente.

"(Exigimos) desculpas públicas (...) aos familiares dessas pessoas que foram assassinadas. É pela dor que o povo também marcha", disse em Bogotá.

Com milhares de manifestantes nas ruas, o governo não só enfrenta uma pressão popular inédita, mas também o risco de um colapso do sistema sanitário por conta de uma multiplicação dos contágios em meio a uma vacinação que cobriu apenas 6,6% da população.

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