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Colisões de galáxia vizinha com a Via Láctea podem ter formado o Sistema Solar

Daniele Cavalcante

Parece que a formação do Sistema Solar e o surgimento de vida na Terra podem ser o resultado da influência de uma galáxia chamada Sagitário sobre a nossa Via Láctea. Pelo menos é o que diz um novo estudo publicado na Nature Astronomy, baseado nos dados recolhidos pela missão Gaia, da ESA, que mapeou a nossa galáxia recentemente.

A pequena galáxia anão Sagitário foi descoberta na década de 1990 e os astrônomos não apenas sabem que ela orbita a Via Láctea, como também já perceberam que há uma colisão entre as duas. Inclusive, os cientistas suspeitam que essa colisão seja a causa do formato da Via Láctea - com sua força gravitacional, ela exerce um efeito profundo sobre como as estrelas se movem em nossa galáxia, resultando no formato de espiral, bem como no formato em S.

O novo estudo agora revela pela primeira vez que a influência de Sagitário na Via Láctea pode ser ainda maior do que se imaginava. É que as ondulações causadas pelas colisões - que podem ter sido pelo menos três nos últimos seis bilhões de anos - parecem ter desencadeado grandes episódios de formação de estrelas. Em um desses episódios, surgiu o nosso querido Sol, há 4,7 bilhões de anos.

Tomás Ruiz-Lara, pesquisador da Astrofísica no Instituto de Astrofísica de Canárias (IAC) em Tenerife, Espanha, e principal autor do novo estudo, disse que, ao analisar os dados do Gaia sobre a Via Láctea, sua equipe encontrou “três períodos de maior formação estelar que atingiram o pico de 5,7 bilhões de anos atrás, 1,9 bilhão de anos atrás e 1 bilhão de anos atrás”. Isso coincide com os períodos em que os pesquisadores acreditam que Sagitário tenha colidido com a Via Láctea.

Eles analisaram as luminosidades, distâncias e cores das estrelas em um raio de cerca de 6500 anos-luz ao redor do Sol. Depois, compararam os dados obtidos com os modelos de evolução estelar existentes. Para Tomás, a ideia de que a galáxia anã Sagitário tenha exercido esse efeito faz muito sentido. Ele explica ainda que nossa galáxia inicialmente era “relativamente silenciosa”, mas as colisões com a vizinha fez com que “todo o gás e poeira anteriormente parados dentro da galáxia maior se espalhem como ondas na água”.

Assim, essas ondulações teriam empurrado maiores concentrações de poeira e gás para algumas regiões da Via Láctea, enquanto esvaziavam outras. A alta densidade de material nessas áreas agora ocupadas desencadearia a formação de novas estrelas. E aí nosso Sistema Solar teve material para se formar. Em outras palavras, pode ser que não estaríamos aqui se não houvessem colisões entre as duas galáxias.

Fonte: Canaltech