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Colômbia pode impor restrições a quem não se vacinar, alerta ministro

·3 minuto de leitura
(Arquivo) O ministro da Saúde da Colômbia, Fernando Ruiz, em coletiva de imprensa para anunciar o primeiro caso de covid-19 no país, em Bogotá, em 6 de março de 2020

A Colômbia incentiva a vacinação contra a covid-19 e pode impor restrições ao acesso a espaços públicos para pessoas não vacinadas, alertou o ministro da Saúde, Fernando Ruiz, nesta quinta-feira (29), que está em visita oficial a Washington esta semana.

O governo de Iván Duque considera que todas as pessoas na Colômbia devem ser vacinadas em prol da proteção coletiva. “O princípio fundamental do plano de vacinação colombiano não é o direito individual e sim o interesse geral”, afirmou Ruiz em entrevista à AFP.

“A Colômbia ainda não implementou nenhuma medida restritiva. Mas não as descartamos, porque acreditamos que se uma pessoa não se vacinar e for a um evento público em um espaço fechado, por exemplo, está afetando o direito de outras pessoas de se protegerem da doença", explicou.

Ruiz se mostrou a favor de exigir no futuro a apresentação de um certificado de vacinação para a entrada em restaurantes, centros comerciais, hospitais e transportes públicos.

O ministro, um médico cirurgião de 62 anos com mestrado em economia e doutorado em saúde pública, também enfatizou a necessidade do uso de máscara para conter a propagação do coronavírus, tanto em espaços públicos fechados como abertos.

“A mensagem que estamos mandando para a população colombiana é: 'Não podemos tirar a máscara até que estejamos completamente vacinados'”, disse ele.

Mais de 11,6 milhões de pessoas completaram o esquema de vacinação anticovid na Colômbia, o que representa 30% da meta de ter 35 milhões de seus habitantes totalmente imunizados até dezembro.

O país, que está aplicando as vacinas da Pfizer, Sinovac, J&J, AstraZenca e Moderna, estuda administrar um reforço para quem recebeu a chinesa Sinovac.

- Preocupação com a Delta -

Ruiz não negou sua preocupação com a detecção no último fim de semana na Colômbia da variante Delta, identificada inicialmente na Índia e muito contagiosa.

"Não há transmissão comunitária da Delta ainda, mas obviamente é muito difícil contê-la", afirmou. "Na Colômbia, temos uma variante predominante, que é B1.621. Estamos vendo como a Delta se comporta frente a ela."

A cepa B1.621, descoberta em janeiro na Colômbia e altamente transmissível, é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma variante de interesse com impacto ainda incerto, ao contrário da Delta, que é rotulada como uma variante de preocupação com impacto significativo.

O aparecimento de Delta ocorre em um momento em que as infecções estão diminuindo na Colômbia após "um crescimento abrupto", que Ruiz atribuiu em grande parte às grandes mobilizações sociais que eclodiram no país desde o final de abril.

“Atingimos o pico máximo de quase 700 mortes diárias notificadas e neste momento estamos em cerca de 300. Ainda temos um caminho a percorrer, mas estamos baixando muito e os serviços de saúde estão mais liberados”, apontou o ministro.

Com 50 milhões de habitantes, a Colômbia acumula mais de 119 mil mortes e 4,7 milhões de infecções por covid desde o início da pandemia é o quarto país das Américas com maior número de óbitos, atrás do Brasil, México e Estados Unidos.

Em Washington, onde agradeceu ao governo Joe Biden pela doação de seis milhões de vacinas, Ruiz se reuniu com seu homólogo americano, Xavier Becerra, com quem discutiu, entre outros assuntos, os desafios impostos pela crise migratória venezuelana.

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