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Protagonismo de mulheres pretas e afeto ganham destaque em 'Coisa Mais Linda'

Ivone (Larissa Nunes) e Adélia (Pathy Dejesus) em 'Coisa Mais Linda'. Foto: Divulgação

Chegou nesta sexta-feira (19) a segunda temporada da série ‘Coisa Mais Linda’ e os espectadores vêm repercutindo a estreia nas redes sociais. Uma das novidades mais bem-recebidas pelo público é a chegada de outra protagonista negra.

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Ivone (Larissa Nunes), irmã mais nova de Adélia (Pathy Dejesus), chega para integrar o quarteto, agora desfalcado após a morte de Lígia (Fernanda Vasconcellos). Ivone, que também é cantora, ajuda a desenrolar uma das tramas mais envolventes do enredo até aqui, além de trazer muitos outros debates à tona.

Ivone (Larissa Nunes) canta no clube Coisa Mais Linda. Foto: Divulgação

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A verdade é que os roteiristas se utilizaram da chegada da jovem para expandir o desenrolar de tramas do núcleo do morro, e, consequentemente, dos personagens negros. Entre eles Duque (Val Perré) e Elza (Eliana Pittman).

Como na primeira temporada, o protagonismo feminino é o que mais caracteriza a série. E agora que há um destaque no ambiente onde Adélia vive com a irmã, a filha e o marido, o Capitão (Ícaro Silva), as mulheres negras conseguem assumir o protagonismo de suas próprias narrativas, algo que antes parecia apenas um vislumbre em comparação às personagens brancas.

O desenvolvimento da trajetória de Adélia, como seu casamento em uma cerimônia candomblecista, a confusão de sentimentos, o equilíbrio da maternidade com a vida profissional, além da luta contra um câncer e ao racismo dá à personagem a chance de ser uma pessoa completa no desenrolar da trama.

Adélia (Pathy Dejesus) e Capitão (Ícaro Silva) se casam. Foto: Divulgação

Assim como a apresentação de Ivone como uma cantora talentosa, cheia de personalidade, sonhos, liberdade sexual e o amor assistido que tem pela irmã mais velha, dá abertura para a discussão da afetividade do povo preto. Algo constantemente ignorado pelas narrativas televisivas, que tendem a apresentar pessoas negras como vilã ou às vezes até bonzinhos, mas endurecidos sentimentalmente pela vida privada de oportunidades.

Miltinho (Breno Ferreira) e Ivone (Larissa Nunes) no casamento de Adélia e Capitão. Foto: Divulgação

A série acertou ao dar espaço para novas perspectivas dentro do enredo geral. Além disso, o debate pela liberdade da mulher preta e o reconhecimento de pertencimento à si própria se mantêm.

O afeto preto

Além do já conhecido relacionamento de Adélia e Capitão, temos agora a oportunidade de conhecer a história dos patriarcas das duas famílias, e a chegada de outros personagens trazem variedade de discurso e diversidade para história.

Casamento de Adélia e Capitão em uma cerimônia candomblecista. Foto: Divulgação

O elenco gostou bastante dessa novidade. “Nessa segunda temporada, exploramos de uma forma que eu acho bonita e muito necessária o afeto preto. Tem alguns personagens novos nesse núcleo e exploramos as dinâmicas de afeto entre eles”, explica Ícaro Silva.

Para o ator, as interações que acontecem no ambiente principal destes personagens é um contexto que dá mais força para a narrativa e conecta mais intensamente a ficção à realidade. “Como é a mãe de um cara do morro? Como é o pai de uma mulher do morro? Como eles se relacionam? Como é a vida dessas pessoas, independentemente da dor ou de questões relacionadas à sua etnia, sua raça. Então, é importante que a gente veja esse viés também para que a gente entenda que estamos em um país que precisa olhar para sua história, precisa olhar para o seu passado”, diz ele, em meio aos debates sobre racismo nop Brasil e nos EUA.

Elza (Eliana Pittman) chega para o casamento de Capitão e Adélia. Foto: Divulgação

Além disso, é um paralelo importante entre passado e presente, que traz para a atualidade algo muitas vezes ignorados até na realidade das pessoas negras. “Mostrar essa afetividade preta dos anos 60 nas nossas telas e ver que ainda hoje isso é novo, pois estou falando disso como uma novidade agora em 2020, nos mostra que precisamos de fato discutir essa questão. E discutir isso é olhar para o passado, entender que temos uma ferida aberta e muitos pecados pelos quais temos que pagar como sociedade”, completa o ator.