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Cofundador da Apple defende que usuários paguem por privacidade

·3 min de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Coletiva de imprensa de Steve Wozniak, co-fundador da Apple, que participa da Campus Party, em São Paulo. (Foto: Felix Lima/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Coletiva de imprensa de Steve Wozniak, co-fundador da Apple, que participa da Campus Party, em São Paulo. (Foto: Felix Lima/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Steve Wozniak, cofundador da Apple, defendeu nesta quarta-feira (20) um modelo digital em que usuários tenham a opção de pagar uma quantia mensal para empresas não usarem seus dados para monitoramento de hábitos ou para fins de publicidade.

"Eu forneço dados sobre minha vida, sobre o que estou fazendo, onde estou indo, quem estou vendo. Isso deveria ser privado. Esses são meus dados. Me dê um preço a pagar, me deixe pagar algum dinheiro por mês e você não irá me rastrear", disse Wozniak em palestra virtual promovida pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias).

"Eu pagaria por isso. Por que ainda não existe?"

Essa ideia, que ficou conhecida como pagamento por privacidade, é ventilada há alguns anos na comunidade técnica de internet, à medida que as companhias de tecnologia passaram a lucrar como nunca e, ao mesmo tempo, protagonizar escândalos com o uso e compartilhamento indevido de dados.

O modelo de pagar por privacidade é, ironicamente, criticado pela EFF (Electronic Frontier Foundation), entidade de defesa dos direitos na internet financiada por nomes como Wozniak.

A organização se opõe a essa dinâmica porque argumenta que ela criaria uma divisão entre quem pode e quem não pode pagar por privacidade e transformaria um direito em uma moeda de troca num sistema sem lastro. O caminho, segundo defesa da ativista Hayley Tsukayma, seria regulação forte e homogênea a todas as companhias.

"Devemos implementar políticas de privacidade que protejam a todos, não esquemas de exploração que tratam as pessoas de baixa renda como cidadãos de segunda classe", disse em texto publicado pela organização no ano passado.

Wozniak também defendeu uma internet com mais regulação, mas não deu mais detalhes.

Nesse campo, também circula a ideia dos dividendos de dados, defendida por especialistas do Fórum Econômico Mundial. Em linhas gerais, o argumento é: como as pessoas não deixarão de usar Facebook ou Google, é justo que recebam recompensa financeira pelo fornecimento de suas informações.

Claro que as companhias devolvem um produto ao utilizarem um dado, seja o WhatsApp, o buscador do Google ou uma rede social. Um dos problemas é que, ao longo dos anos, o valor desse dado barateou perto do lucro do setor, que tem poucos concorrentes.

As big techs tornaram-se as companhias mais ricas do mundo, com poucos competidores, estruturadas em modelos de captação massiva de dados e oferecendo pouco poder de barganha para os "clientes". O usuário até pode alterar as configurações de privacidade, mas isso tem um limite. Ele também, a essa altura, enfrentará vários tipos de obstáculos sociais ao deixar de usar Google ou WhastApp.

Apesar de o modelo soar justo, colocaria a privacidade como um produto, quando trata-se de um direito. Também caberia ao setor privado, sem muita transparência, determinar quanto valeria cada informação.

"Você não colocaria preço na sua liberdade de falar. Não devemos colocar um em nossa privacidade, também", diz Tsukayma.

Durante o painel, Wozniak também disse estar orgulhoso da posição pró-privacidade da Apple nos últimos anos. Após muitas críticas, a companhia decidiu adiar uma decisão de controversa de revisar fotos enviadas à nuvem para coibir abuso infantil. A iniciativa foi considerada invasiva e perigosa porque abriria precedentes para a intromissão do setor privado e de governos em documentos pessoais.

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