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Em campanha antirracista, Coca-Cola suspende anúncios nas redes sociais

·3 minuto de leitura
Logomarca da Coca-Cola em foto de 19 de janeiro de 2016

A Coca-Cola, que investe enormes quantias de dinheiro em anúncios, informou nesta sexta-feira (26) que vai suspender por pelo menos 30 dias sua publicidade nas redes sociais como parte de uma campanha contra o racismo nestas plataformas.

"Não há lugar para o racismo no mundo e não há lugar para o racismo nas redes sociais", disse James Quincey, diretor-executivo da gigante mundial em um breve comunicado.

Quincey exigiu que as redes sociais mostrem maior "transparência e responsabilidade", depois que outras marcas decidiram retirar seus anúncios destas plataformas para obrigá-las a suprimir conteúdos que incitem o ódio.

A Coca-Cola aproveitará este período para "fazer um balanço sobre (suas) estratégias publicitárias e ver se precisa revisá-las", explicou o diretor-executivo.

A gigante americana de refrigerantes informou ao canal CNBC que esse "descanso" não significa adesão ao movimento lançado na semana passada por associações de defesa de afro-americanos e da sociedade civil.

Esta campanha, chamada #StopHateForProfit ("Detenha o ódio para lucrar"), propõe boicotar anúncios no Facebook em julho e conta com o apoio de várias organizações antirracistas, como a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP) e a Liga Antidifamação judaica.

Seu objetivo é conseguir uma melhor regulação dos grupos que incitam o ódio, o racismo e a violência nas redes sociais.

Nesta sexta, a Unilever, uma das líderes mundiais do setor agroalimentício e dos cosméticos, anunciou a suspensão de seus anúncios em Facebook, Twitter e Instagram nos Estados Unidos pelo menos até o fim do ano, devido a este período eleitoral "polarizado" nos Estados Unidos.

A maior rede social do mundo sofre há semanas uma enorme pressão por parte da sociedade civil, assim como de alguns dos seus funcionários, usuários e clientes, que exigem que a plataforma seja mais dura na forma de lidar com os conteúdos de ódio.

Organizações como a Liga Anti-Difamação (ADL) e a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP) pediram aos anunciantes que boicotassem o Facebook como forma de pressioná-lo a verificar melhor o conteúdo dos grupos que usam a rede social para incitar ao ódio, ao racismo ou à violência.

Além da Unilever, responderam à solicitação a empresa americana de telecomunicações Verizon, a sorveteria Ben & Jerry's, e empresas de artigos esportivos como Patagonia, North Face e REI, além da agência de emprego Upwork.

Diante da pressão sofrida, o Facebook endureceu suas políticas de mediação de conteúdo, ao proibir mais tipos de mensagens de ódio em anúncios publicitários e começar a colocar advertências nas publicações problemáticas que decidir não eliminar.

Mark Zuckerbeg, CEO da rede social, defende há meses em nome da liberdade de expressão uma abordagem mais flexível que a do Twitter e do Youtube sobretudo no que se refere ao discurso de personalidades políticas.

Mas ele mesmo deu detalhes sobre o endurecimento de sua posição.

A plataforma agora suprimirá os anúncios que digam que as pessoas de determinadas origens, etnias, nacionalidades, gênero e orientação sexual são uma ameaça para a segurança ou a saúde dos demais, disse Zuckerberg, em um comunicado divulgado em seu perfil no Facebook.

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