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Cobras "radioativas" são usadas para fazer mapeamento ambiental de Fukushima

·2 minuto de leitura

Há um pouco mais de 10 anos, em março de 2011, aconteceu o acidente nuclear na Central Nuclear de Fukushima I, no Japão, quando três dos seis reatores da usina derreteram. O desastre aconteceu após o local ser invadido pelo maremoto de magnitude 8,7 provocado por um tsunami. Agora, pesquisadores estão usando as cobras "radioativas" que moram lá para fazer o mapeamento ambiental da região.

De acordo com o novo estudo, os radionuclídeos acumulados por serpentes da espécie cobra-rateira-japonesa estão posicionados de uma forma única, sendo elas essenciais para conduzir esse mapeamento. James Beasley, ecologista e um dos autores do estudo, explica que as cobras são bons indicadores de contaminação ambiental porque passam muito tempo abaixo ou em cima do solo, além de serem predadores e terem vida relativamente longa. Além disso, as cobras têm um alcance curto e passeiam cerca de 65 metros por dia.

<em>Imagem: Reprodução/Hanna Gerke/University of Georgia</em>
Imagem: Reprodução/Hanna Gerke/University of Georgia

Estudos anteriores já mostraram que os níveis de radiocésio encontrados em cobras que vivem em Fukushima estão relacionados aos níveis de contaminação radioativas encontradas neste ambiente. Sendo assim, os pesquisadores entenderam que o rastreamento e estudo nas cobras ajudam a descobrir os níveis de radioatividade ambiental.

Os cientistas explicam que os níveis de contaminação ambiental variam de acordo com o tipo de terreno e suas características. Então, nove cobras foram capturadas e receberam um rastreador GPS com frequência alta, que poderiam revelar se elas estavam no solo ou em uma árvore, por exemplo. As serpentes foram rastreadas por um mês enquanto se moviam nas terras altas de Abukuma Highlands, a 24 quilômetros da usina nuclear.

O rastreamento, ao todo, mostrou 1.717 localizações das cobras, que passavam a maior parte do tempo em árvores, pastagens e próximas a riachos. Mas as serpentes também circulavam em prédios abandonados e florestas decíduas, mas sem se distanciarem muito. Somente um caso de viagem longa foi registrado, com uma cobra passeando por mais de 250 metros em uma estrada.

<em>Imagem: Reprodução/Hanna Gerke/University of Georgia</em>
Imagem: Reprodução/Hanna Gerke/University of Georgia

A pesquisa concluiu, portanto, que a seleção natural das cobras era diferente em escala espacial, mas que elas evitavam constantemente florestas com folhas coníferas ou largas e perenes enquanto escolhiam áreas próximas a riachos. Sendo assim, elas permaneciam na mesma região por dias, fazendo apenas alguns movimentos de distanciamento.

"De forma coletiva, os dados fornecem informações valiosas sobre as taxas de movimento das cobras, comportamento e seleção de habitat em uma região contaminada que irá informar estimativas futuras de exposição à radiação externa", diz o estudo. Você pode conferir a pesquisa neste link.

Fonte: Canaltech

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