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'Coadjuvantes de luxo', como São Paulo e Corinthians se motivam para interferir na 'final' do Brasileiro?

Marcello Neves
·3 minuto de leitura

Os holofotes do Campeonato Brasileiro estão sobre Flamengo e Internacional, o líder e o vice, que decidirão o título na próxima quinta-feira. Mas dois outros personagens estarão presentes nesta 'decisão': o São Paulo, que medirá forças com o rubro-negro no Morumbi, e o Corinthians, que duelará com o Colorado no Beira-Rio. Coadjuvantes de luxo, os paulistas chegam à 38ª rodada com papéis e motivações diferentes para interferir na disputa pelo título.

O São Paulo, que entre os dois é o mais interessado, poderia ter resolvido a sua vida no Brasileiro na última segunda-feira, mas a derrota por 1 a 0 para o Botafogo, no Nilton Santos, complicou os planos. O objetivo é garantir a vaga direta à fase de grupos da Libertadores, mas com 63 pontos e na quarta colocação, está ameaçado pelo Fluminense, quinto com 61. Ou seja, terá que buscar a vitória diante do Flamengo.

Caso empate ou seja derrotado pelo Flamengo, o Tricolor paulista terá que torcer para que o Fluminense não ganhe seu confronto contra o Fortaleza, no Maracanã. Se nada disso der certo, o São Paulo ainda pode garantir vaga na fase de grupos da Libertadores caso o Palmeiras seja campeão da Copa do Brasil.

Se um dia o São Paulo foi líder e favorito ao título brasileiro, hoje é uma equipe desmontada, desmotivada e que pouco empolga. Já pensando em 2021, acertou com o técnico Hernán Crespo e está sendo comandada pelo auxiliar Marcos Vizzoli. Também negociou o atacante Brenner ao Cincinatti, dos Estados Unidos, e liberou diversos atletas em fim de contrato para férias. Mas a expectativa é por força máxima diante do rubro-nengro.

— Podemos estar entre os quatro finalistas de uma classificação à Libertadores. Isso vai dar ânimo, vai dar um respiro maior, então passa a ser um outro desafio para esse jogo – disse Vizolli.

Para o duelo de quinta, Vizolli não terá Reinaldo e Léo, suspensos. Daniel Alves, por sua vez, retorna de suspensão e deve voltar ao time titular.

E o Corinthians?

Já ao Corinthians pouco interessa a 38ª rodada. Sem chances de classificar à Libertadores e garantido na próxima edição da Sul-Americana, a única motivação existente é garantir uma boa colocação na tabela para melhorar a premiação a ser recebida — algo importante em tempo de crise financeira no Parque São Jorge. O técnico Vagner Mancini não está garantido para a próxima temporada e pode estar fazendo o seu último jogo.

Mas se dentro de campo não há tanto interesse, fora dele existe a pressão dos torcedores para que o Corinthians vença a partida pela rivalidade. É provável que o Internacional seja o maior rival do Alvinegro fora do estado de São Paulo e a lembrança do Brasileiro de 2005 — com o escândalo da máfia do apito e o pênalti não marcadao em Tinga — ainda aumenta os ânimos. Corinthians e Internacional também decidiram a Copa do Brasil de 2009 recentemente e o encontro passará longe de ser amigável.

– O Corinthians vai passar por uma reestruturação, uma reconstrução de time usando atletas da base, é necessário. Eu não posso exigir da minha diretoria que tenha atos irresponsáveis. Se não temos a viabilidade para buscar no mercado usando somas financeiras, vamos buscar na base — declarou Mancini.

O retrospecto do Internacional diante do Corinthians também não anima. Foram onze vitórias, 19 empates e seis derrotas, em 36 confrontos desde a inauguração do Beira Rio, em 1969.