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CNI projeta crescimento do PIB de 2,5% em 2020

Edna Simão e Mariana Ribeiro

Atividade deve ser puxada por melhora do investimento e da indústria A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê um crescimento para a economia brasileira de 2,5% no próximo ano. Na avaliação da entidade, a atividade econômica será impulsionada pelo aumento de 2,8% do PIB industrial e pela elevação de 6,5% do investimento. No caso do consumo das famílias, a contribuição deve ser 2,2%.

O gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, destacou que a expectativa de ambiente de negócios mais favorável deve alavancar o crescimento, especialmente, o do setor da indústria. A expansão do PIB no próximo ano deve ser puxada pela expansão do investimento privado e da indústria da construção, segundo ele.

O economista avalia que todos os setores da indústria devem crescer no próximo ano. Se confirmada, a expansão de 2,8% será a maior taxa desde 2011.

“Vamos começar o ano com o otimismo que vem do final de 2019”, afirmou.

Ele reforçou ainda que a economia começou a se reativar na segunda metade deste ano, puxada por aumento dos investimentos privados. Segundo ele, o setor privado está dando sua resposta na esteira da melhoria do quadro para os negócios, como resultado de medidas como a aprovação de reformas da Previdência Social e da Lei de Liberdade Econômica.

A CNI ressaltou que a sustentabilidade do crescimento econômico nos próximos anos depende da continuidade de aprovação das reformas, ressaltando a necessidade de aprovação de uma mudanças no sistema tributário. Castelo Branco ainda defendeu reformas microeconômicas para continuar a melhorar o ambiente de negócios e, ao mesmo tempo, aprimorar a qualificação dos trabalhadores e a produtividade.

CNI prevê crescimento em todos os setores da indústria em 2020

Dado Galdieri/Bloombergc

Segundo Robson Braga, presidente da CNI, a entidade gostaria que o governo optasse por uma reforma tributária “ampla e irrestrita”, mas ele entende “que não há prazo para fazer isso em um ano”.

“Só com a reforma dos impostos federais, já é uma grande vantagem. Se a gente conseguir atingir IPI, PIS e Cofins, já adianta muito. Um dos impostos mais complicados que temos é o PIS. Nem a Receita Federal consegue dar resposta para muitas coisas”, disse. Para ele, se a União fizer as reformas administrativa e tributária poderá “induzir Estados a irem no mesmo sentido”.

Ele também criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar o não pagamento de ICMS já declarado. “Estamos fazendo uma gestão junto ao STF sobre isso, porque, se declaro e não tenho dinheiro para pagar, não estou sonegando”, argumentou.

Para Castelo Branco, um outro desafio do governo é reduzir o custo de capital da empresa, cuja baixa não acompanhou as quedas da Selic. “A queda da Selic está criando espaço para as empresas que colocam sejam títulos no mercado tenham financiamento e a expectativa é que isso se aprofunde”, frisou. Além disso, ele defendeu a necessidade de aumento de investimentos em inovação para melhorar a produtividade.

A queda da taxa básica de juros também deve impulsionar o setor de construção no próximo ano. A expectativa é de um crescimento de 3%.

“A queda dos juros elevados leva à redução dos custos, o que enseja custo menor para novos contratos. Isso tem alavancado a indústria da construção e vai se refletir no nível de emprego” frisou Castelo Branco.

Para 2020, a expectativa é de que a inflação siga abaixo da meta prevista para o ano. Mas o gerente-executivo da CNI ressaltou que o déficit primário do país deve crescer, pois não contará com receitas como a do leilão dos barris de petróleo excedentes dos contratos de cessão onerosa de 2019.

Ele ressaltou, no entanto, que o importante é a trajetória de ajuste fiscal bastante consistente em razão da PEC do teto de gastos e outras medidas de esfera fiscal, além dos efeitos graduais da reforma da Previdência.

Castelo Branco disse ainda que a tendência é de aumento do déficit em transações correntes em 2020, mas isso não preocupa pois o saldo deve ser integralmente financiado pela entrada de recursos estrangeiros. A previsão da CNI para déficit em transações correntes é de US$ 50 bilhões em 2020.

Desemprego

As projeções da CNI estimam a taxa de desemprego em 11,3% em 2020, considerando a média anual. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a projeção é de 3,7% no ano. A taxa nominal de juros está projetada em 4,5% tanto para a média quanto para o fim do ano.

A CNI ainda estima um déficit primário de 1,3% do PIB para o ano que vem. A dívida bruta deve atingir a marca de 79,3%. A taxa nominal de câmbio deve ficar em R$ 4,05 pela média do ano.

No que diz respeito à balança comercial, a entidade projeta um superávit de US$ 38 bilhões, resultado de exportações de US$ 230 bilhões e importações de US$ 192 bilhões.

Para 2019, o crescimento da economia deve ficar em 1,2%, sendo que o PIB da indústria deverá encerrar com uma expansão de 0,7%. O investimento para este ano deve subir 2,8% e a taxa desemprego representar 11,9% da População Economicamente Ativa (PEA).

A estimativa é de que o IPCA fique em 3,78% neste ano. Para o resultado primário, a projeção é de um déficit de 0,9% do PIB. A dívida pública deve atingir 78,2% do PIB e o saldo comercial deve ser superavitário em US$ 45 bilhões.