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CNC prevê queda recorde de 5,6% na receita real das empresas de serviços em 2020

Bruno Villas Bôas

Segundo a entidade, os serviços prestados diretamente aos consumidores finais são os mais afetados e os de mais lenta recuperação Com a flexibilização das medidas de distanciamento social, o setor de serviços deverá começar a registrar perdas menos intensas de receita nos próximos meses, diz Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Mesmo assim, o setor pode fechar o ano com perda recorde.

Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o volume dos serviços prestados no país recuou 11,7% em abril, frente a março. Foi o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2011. Para a CNC, o mês tende a ser o mais negativo do ano.

"O processo de redução do isolamento social e a flexibilização da quarentena começam a produzir resultados menos negativos para comércio e também para o setor de serviço. Não devemos ter números positivos no acumulado do ano, mas se o cenário de flexibilização se mantiver, devemos ter taxas menos negativas", disse Bentes.

Na projeção da CNC, a receita real do setor de serviços deve recuar 5,6% neste ano, frente a 2019. Se confirmado, será o pior resultado da série histórica da pesquisa. A queda projetada deve ser mais intensa no comércio varejistas em 2020, projetada pela CNC em 8,7% na comparação ao ano anterior.

Segundo a CNC, os serviços prestados diretamente aos consumidores finais são os mais afetados e os de mais lenta recuperação. É o caso do consumo das famílias, que recuou 44,1% em abril deste ano, e de serviços turísticos, com queda de 54,5%.

“Os serviços às famílias talvez tivessem recuado menos no mês se a pesquisa do IBGE incluísse as escolas e planos de saúde, por exemplo, o que não acontece. Mas, de toda forma, foi um mês de perdas intensas”, disse Bentes.

Nos cálculos da CNC, o setor de serviços acumulou perda de R$ 88 bilhões em faturamento desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia mundial.