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Clima de Vênus quando "bebê" pode ter impedido a formação de oceanos no planeta

·3 minuto de leitura

Embora Vênus seja considerado um planeta “irmão” da Terra por sua massa e tamanho, nosso vizinho tem atmosfera composta por dióxido de carbono, temperatura e pressões extremas e outras características pouco amigáveis para nós. Estudos anteriores já sugeriram que, talvez, Vênus tenha sido bem mais hospitaleiro, mas uma equipe de astrofísicos, liderada pela Universidade de Genebra e pelo National Centre of Competence in Research (NCCR) PlanetS, investigou se o planeta poderia ter tido oceanos — e os resultados sugerem que este não foi o caso.

A equipe de astrofísicos foi liderada por Martin Turbet, pesquisador do departamento de astronomia da universidade. A ideia do estudo era trabalhar com ferramentas disponíveis na Terra para descobrir se Vênus teve (ou não) oceanos primordiais. Para isso, eles simularam o clima de ambos os planetas no início de sua evolução, quando ainda tinham superfície derretida: “as altas temperaturas associadas significam que qualquer água por lá seria apresentada na forma de vapor, como se fosse uma panela de pressão gigante”, explica.

Devido às semelhanças entre os dois planetas, as características de Vênus podem indicar um pouco sobre o futuro da Terra (Imagem: Reprodução/WikiImages/Pixabay)
Devido às semelhanças entre os dois planetas, as características de Vênus podem indicar um pouco sobre o futuro da Terra (Imagem: Reprodução/WikiImages/Pixabay)

Assim, com o uso de modelos tridimensionais da atmosfera similares àqueles usados para simular o clima da Terra e sua evolução no futuro, a equipe estudou como as atmosferas dos dois planetas poderiam evoluir ao longo do tempo e se esse processo iria incluir a formação de oceanos. “Pudemos mostrar que as condições climáticas não permitiram vapor d’água se condensar na atmosfera de Vênus”, disse Turbet. Na prática, isso significa que as temperaturas nunca seriam baixas o suficiente para permitir a condensação da água e, consequentemente, a ocorrência de chuvas.

Por isso, a água ficaria na atmosfera no estado gasoso, o que não permitiria a formação de oceanos. O autor acredita que um dos principais motivos para isso envolve as nuvens, que se formam preferencialmente no lado noturno do planeta. Essas nuvens causariam um efeito estufa intenso, que iria impedir Vênus de se esfriar com a velocidade com que se pensava. Curiosamente, algo parecido poderia acontecer com a Terra se estivesse mais perto do Sol, ou se nosso astro brilhasse com a mesma intensidade daquela de sua “juventude”.

Isso também traz implicações para o "paradoxo do Sol jovem", que propõe que, quando nossa estrela era mais nova, era 30% mais fria do que é hoje, o que deveria ter transformado a Terra em grande uma bola de gelo. Por outro lado, as evidências mostram que já havia água líquida por aqui naquele período. Então, é provável que a radiação relativamente fraca do Sol jovem sido uma "oportunidade inesperada" para nosso planeta esfriar o suficiente para permitir a condensação da água.

David Ehrenreich, co-autor do estudo, ressalta a importância da pesquisa para ajudar a esclarecer o que aconteceu no passado de Vênus. “Contudo, não vamos conseguir descartar completamente essa questão; as observações das três futuras missões venusianas serão essenciais para confirmar — ou refutar — nosso trabalho”, disse. Em sua fala, Ehrenreich se referiu às missões propostas pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, que serão lançadas ao longo da próxima década.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Canaltech

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