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Clima olímpico e medalhas não aplacam raiva dos japoneses 'anti-Jogos'

·3 minuto de leitura
O artista 'anti-Jogos' Kai Koyama durante entrevista com a AFP em Tóquio, Japão, em 26 de julho de 2021

Kai Koyama estava em frente ao Estádio Olímpico de Tóquio, quando os fogos de artifício explodiram no céu em 23 de julho. na abertura dos Jogos. Ao contrário de muitos ao seu redor, ele não aplaudiu, ele protestou.

Durante meses, as pesquisas no Japão mostraram uma forte oposição à realização dos Jogos, uma rejeição que foi crescendo com o aumento dos casos de covid-19 e diante da lentidão da campanha de vacinação no arquipélago.

Desde a cerimônia de abertura, porém, a hostilidade em relação às Olimpíadas parece ter diminuído.

Mais da metade das famílias em Tóquio acompanharam o show, e longas filas se formaram para tirar uma foto com os anéis perto do local olímpico.

O Japão já bateu seu recorde de medalhas de ouro nos Jogos, e as lojas de souvenirs do evento tiveram um grande aumento nas vendas.

Mas nada disso mudou a opinião de Koyama e de outros cidadãos, que se opõem há tempos a este evento esportivo, realizando manifestações que atraíram apenas algumas dezenas de pessoas.

"Vidas são mais importantes do que medalhas!", diziam os manifestantes anti-Jogos na frente dos escritórios do primeiro-ministro Yoshihide Suga, em Tóquio, na semana passada.

Koyama foi um deles. Pedia a Suga para cancelar os Jogos e se concentrar no aumento do número de casos de covid-19 no Japão. Este quadro levou o governo a estender o estado de emergência na capital e a incluir outros quatro departamentos neste dispositivo.

- Exposição de arte -

"Estou com muita raiva", disse à AFP o pintor de 40 anos. "Há pessoas que morrem todos os dias, e as Olimpíadas continuam", acrescentou.

O evento olímpico é realizado com regras muito rígidas: a maioria das competições é disputada sem espectadores, e há muitas restrições.

Isso é insuficiente, afirma Koyama, para quem a realização dos Jogos estimula a população a respeitar as instruções das autoridades.

"Eu me senti impotente e com raiva, quando vi os fogos de artifício anunciando o início dos Jogos, apesar da oposição de 80% da população japonesa", disse ele.

Koyama canalizou sua frustração para uma exposição intitulada "Declaração pelo Fim dos Jogos Olímpicos". A mostra reúne obras de arte que simbolizam a oposição ao evento.

Outros japoneses já se opunham à realização dos Jogos muito antes da crise da covid-19.

Takatoshi Sakuragawa, 55 anos e também pintor, não entende por que o Japão participou da votação do Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2013, quando o arquipélago ainda estava sob o choque do tsunami de 2011. O trágico fenômeno deixou 18.500 mortos, ou desaparecidos, e causou o acidente nuclear em Fukushima.

"Eu me perguntei por que estavam desperdiçando energia em algo como as Olimpíadas, depois da nossa pior catástrofe", disse ele à AFP.

O comitê de candidatura de Tóquio havia enfatizado que os Jogos ajudariam a reabilitar a região, graças "ao poder do esporte".

Em uma pesquisa realizada em março deste ano com cidadãos das áreas mais afetadas pelo desastre de 2011, 61% questionaram se os Jogos de Tóquio ajudaram a reconstruir a região afetada.

Apenas algumas competições olímpicas foram transferidas para a região nordeste do país, a maioria delas sem espectadores, devido à crise de saúde.

Sakuragawa tenta não prestar atenção nos Jogos, embora goste de acompanhar o esporte na televisão: "Mas toda vez que ligo a TV há competições em todos os canais, então sou obrigado a acompanhá-los".

kh/kaf/sah/ras/pm/psr/mr/tt

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