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Clima de cautela no exterior volta a afetar o Ibovespa

Marcelle Gutierrez

Incertezas sobre o coronavírus se aliaram à tensão causada pela intervenção do Banco Central no câmbio O clima de cautela nos mercados mundiais afetou novamente o Ibovespa, após mudança na metodologia de diagnóstico do coronavírus na China. Essas incertezas se aliaram à tensão causada pela intervenção do Banco Central no câmbio.

O Ibovespa acelerou o ritmo de queda logo nos primeiros minutos de pregão até a mínima de 114.800 pontos (-1,61%). Após ajustes, o Ibovespa fechou com recuo de 0,87%, aos 115.662 Pontos. O volume financeiro totalizou R$ 16,4 bilhões, um pouco abaixo da média diária de fevereiro, de R$ 20 bilhões.

Em relação ao coronavírus, a mudança na metodologia de diagnóstico levou o número de mortes para 1.367 e de infectados para 59.804. O salto assustou os participantes dos mercados mundiais, cuja depreciação se acomodou levemente durante a tarde, após entrevista coletiva da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com a OMS, a alteração na metodologia “não representa uma mudança significativa na trajetória do surto”.

O consultor de investimentos e presidente da Ivest, Caio Fernandez, explica que o movimento da bolsa está muito próxima ao de outros emergentes, já que a epidemia do coronavírus impacta a China, a maior consumidora dos produtos brasileiros. “O vírus veio em um momento de alta histórica da bolsa e favoreceu o movimento de realização. O investidor queria um motivo para realizar”.

No exterior, o EEM, um dos principais fundos de índice (ETF) de emergentes negociado em Nova York, fechou em queda de 1,32%. Já as bolsas americanas tiveram leve baixa. O Dow Jones recuou 0,43%, o S&P 500 teve baixa de 0,16% e o Nasdaq (-0,14%).

Na bolsa brasileira, a intervenção do Banco Central no câmbio hoje contribuiu para o movimento vendedor.

Victor Hasegawa, gestor de ações da Infinity Asset, explica que em um dia de aversão ao risco, o investidor não conseguiu se proteger do investimento em bolsa comprando dólar (hedge).

“Se [o investidor] quer fazer um pouco de proteção, toma dólar e compra bolsa. A partir do momento que o BC atua no câmbio, e atuou em um nível alto, não é possível fazer o hedge. Com o BC atuando, é sensato reduzir um pouco o nível em bolsa”, afirmou Hasegawa.

O que segurou parte do desempenho hoje do Ibovespa hoje foi a alta de Usiminas, Marfrig e Suzano.

A maior alta do Ibovespa foi Usiminas PNA, de 4,97%. Segundo profissionais do mercado, há expectativa de lucro no quarto trimestre de 2019, ante prejuízo do terceiro trimestre. A siderúrgica mineira divulga amanhã seu balanço. O Valor Pro também publicou, mais cedo, que as siderúrgicas produtoras de aço longo já planejam novo aumento de preço para março.

Marfrig ON teve alta de 4,82% com recomendação de compra pelo J.P.Morgan.

A Suzano teve uma valorização de 3,25% com o balanço do quarto trimestre de 2019. A queda anual de 61% do lucro líquido, para R$ 1,1 bilhão, já era esperada pelo mercado. Analistas do Bradesco BBI, por exemplo, elencaram como positivo o aumento das exportações e redução dos estoques de celulose.

Julio Bittencourt/Valor