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Clínicas de saúde devem importar 5 milhões de doses da vacina Covaxin para o BR

Fidel Forato
·3 minuto de leitura

No Brasil, o Sistema Público de Saúde (SUS) tem coordenado e administrado os imunizantes aprovados contra a COVID-19, como a CoronaVac e a vacina de Oxford. Nete cenário, mais de um milhão de brasileiros já receberam a primeira dose da vacina. Agora, clínicas privadas de saúde se organizam para importar cinco milhões de doses da Covaxin, fórmula desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2).

De acordo com o jornal Valor Econômico, as negociações ocorrem entre a farmacêutica indiana, a Associação Brasileira das Clínicas de Vacina (ABCVAC) e da importadora Precisa Medicamentos. No entanto, para a vacina ser adotada no Brasil, ainda seria necessário obter uma autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, a fórmula ainda não completou os testes de Fase 3.

Vacina Covaxin pode ser importada para o Brasil por clínicas privadas (Imagem: Reprodução/ Thirdman/ Pexels)
Vacina Covaxin pode ser importada para o Brasil por clínicas privadas (Imagem: Reprodução/ Thirdman/ Pexels)

Importação da vacina indiana

Desde o início de janeiro, a ABCVAC — uma associação que reúne 200 associadas e representa 70% do setor no Brasil — e a Bharat Biotech discutem o acordo comercial e os termos para importação. Inclusive, uma delegação da entidade já viajou até a Índia para avançar no diálogo com o laboratório. Agora, toda a negociação deve ser fechada na próxima sexta-feira (29), segundo apurou o jornal.

Para reservar as doses contra a COVID-19, será necessário um sinal de 10% do montante do contrato firmado, sendo que esse valor poderá ser devolvido caso a fórmula não seja aprovada pela Anvisa. A expectativa é que cada clínica compre entre duas mil e 400 mil doses do imunizante, a partir de um valor mínimo de US$ 32,71 (R$ 176).

Ainda nesta semana, empresas privadas brasileiras ensaiaram a compra de 33 milhões de doses da vacina de Oxford, diretamente com a farmacêutica responsável pelo seu desenvolvimento, a AstraZeneca. No entanto, a empresa negou a venda, já que não teria estoque disponível e tem sua produção focada em programa liderado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para distribuição de imunizantes, o COVAX Facility, além dos contratos já firmados.

Sobre a Covaxin

Até o fim de fevereiro, a Bharat Biotech deve concluir os estudos de Fase 3 da vacina Covaxin, sendo que o produto poderá chegar ao Brasil já em abril, segundo cronograma da empresa. No entanto, a fórmula deve passar pelo processo de autorização e uso da Anvisa.

De acordo com as regras da agência reguladora, clínicas privadas não devem comercializar vacinas com aprovação emergencial, que seria a autorização mais rápida, mesmo que temporária. Além disso, a Anvisa exige que os testes clínicos de uma vacina ocorram no país para uma liberação de uso emergencial. Por este motivo, por exemplo, a vacina Sputnik V ainda não foi aprovada no Brasil.

Com tecnologia similar ao imunizante CoronaVac, a Covaxin adota em sua fórmula o coronavírus inativado ("morto"). Para a imunização completa contra a COVID-19, também são necessárias duas doses. Até o momento, a vacina já teve sua autorização concedida na Índia.

Fonte: Canaltech

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