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Citi vê risco de contestação da eleição, mas com impacto passageiro para os mercados

Pessoas em fila para votar no primeiro turno das eleições, em Curitiba

SÃO PAULO (Reuters) - O Citi disse em relatório ver riscos de contestação do resultado das eleições presidenciais brasileiras no próximo domingo, mas acredita que qualquer tentativa de descredibilizar o processo será barrada pelas instituições do país, de forma que teria impacto apenas passageiro nos mercados financeiros.

Na reta final da campanha presidencial, parte dos investidores tem mostrado desconforto com a aparente tentativa do atual presidente e candidato a um segundo mandato Jair Bolsonaro (PL) de descredibilizar o processo eleitoral e preparar o terreno para contestação do resultado de domingo.

Bolsonaro vem atacando há meses, sem provas, as urnas eletrônicas, que diz serem passíveis de fraude, e durante a campanha ele e aliados têm insistido na mensagem de que as autoridades eleitorais trabalham contra sua reeleição.

Nesta semana, a campanha do atual presidente foi ao TSE para denunciar, sem provas, uma suposta irregularidade na exibição de inserções em rádios da Bahia e de Pernambuco.

"Embora acreditemos que a chance de eleições contestadas não seja tão baixa quanto gostaríamos, as consequências não serão duradouras e os tribunais eleitorais derrubarão uma possível acusação de Bolsonaro, provavelmente dentro de um mês, em nossa opinião", avaliou o Citi em relatório publicado nesta sexta, mas produzido na quinta-feira.

"As instituições da nação estão preparadas para inviabilizar qualquer esforço de contestação feito por Bolsonaro."

Passado o ruído em torno de possível acusação contra o processo eleitoral, o foco dos mercados deve mudar para as indicações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) --líder nas pesquisas de intenção de voto e cuja vitória é apontada pelo Citi como o cenário mais provável-- e para sua pasta econômica, afirmou o banco norte-americano no documento.

Segundo o Citi, os mercados financeiros provavelmente reagiriam positivamente à nomeação por Lula de nomes mais moderados e vistos como mais amigáveis aos mercados --como o ex-ministro e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles-- ao cargo de ministro da Economia.

"Esses tipos de candidatos certamente aumentarão a confiabilidade de uma potencial presidência de Lula, que provavelmente se inclinará para políticas menos extremistas, especialmente considerando o forte desempenho dos partidos de direita na eleição do Congresso e a margem de vitória relativamente apertada", afirmou o banco.

Embora tenha como cenário básico a eleição de Lula, o Citi não descarta a possibilidade de vitória de Bolsonaro, em meio à possibilidade de que o atual presidente esteja sendo subestimado nas pesquisas de intenção de voto, e aponta que os mercados reagiriam com fortes altas a esse desfecho.

Nesse caso, o Citi diz que a campanha de Lula também poderia contestar o resultado, mas avalia que os mesmos argumentos indicando provável interrupção de eventual tentativa de Bolsonaro de descredibilizar o processo eleitoral também se aplicam ao outro lado.

"Qualquer disputa provavelmente seria encerrada com relativa rapidez, permitindo que os mercados se concentrassem em como seria um governo Bolsonaro, que não seria prejudicado pela Covid. Esperaríamos que o ministro da Economia (Paulo) Guedes permanecesse no governo, levando a uma reação fortemente positiva do mercado."

(Por Luana Maria Benedito)