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Citi aprova crédito de R$ 750 mi para setor elétrico no Brasil

Cristiane Lucchesi e Felipe Marques

(Bloomberg) -- O prédio do Citigroup em São Paulo está quase vazio nos dias de hoje, com exceção da sala no 17º andar de Marcelo Marangon, que ainda faz a jornada para o escritório todos os dias para supervisionar os negócios, inclusive um aumento no crédito provocado pela pandemia do Covid-19.

“É importante que as pessoas me vejam aqui”, disse Marangon, presidente do Citigroup no Brasil, em entrevista por telefone, referindo-se às videoconferências que ele realiza. Ele disse que trabalhar no escritório o ajuda a “se comunicar melhor globalmente, gerenciar a crise, oferecer conforto aos funcionários e entender as necessidades de nossos clientes”.

Cerca de 98% dos 2.000 funcionários do Citigroup estão trabalhando de casa no Brasil, país que tem o segundo maior números de casos de contaminação pelo coronavirus do mundo, atrás somente dos EUA. As consequências econômicas são devastadoras, com os economistas do banco prevendo uma contração de 6,5% no PIB neste ano.

Em resposta a isso muitas grandes empresas brasileiras tentam obter “colchões de liquidez”, disse Marangon. A carteira de empréstimos locais do Citigroup aumentou 30% em março em relação a três meses antes e cresceu mais 5% em abril, disse ele.

Para o segundo semestre, o Citigroup já aprovou uma linha de crédito de até R$ 750 milhões para socorrer o setor de energia do país, parte de um empréstimo sindicalizado organizado pelo BNDES, de acordo com Marangon.

A contração econômica e um déficit do governo estimado em 11% do Produto Interno Bruto podem acabar sendo ainda piores, disse Marangon, considerando que os números se baseiam em previsões de que a economia será totalmente reaberta até agosto, “o que hoje parece altamente improvável.”

Com o risco de crédito aumentando no Brasil, o Citigroup encolheu sua carteira proprietária de tesouraria e aumentou suas provisões para perdas com empréstimos corporativos, um movimento que contribuiu para uma redução de 3% nos lucros no país no primeiro trimestre, disse Marangon. Mas as margens de lucro aumentaram com um volume maior de crédito, derivativos e de transações de tesouraria para clientes, enquanto os custos permaneceram sob controle, disse ele.

O Citigroup não reduziu sua força de trabalho no Brasil e não tem planos de fazê-lo no segundo semestre do ano. Ainda está para decidir quando começará a trazer os funcionários de volta ao escritório.

Marangon disse que o banco não dependerá apenas da orientação das autoridades locais, e vai tomar a decisão baseado em critérios como “o achatamento da curva de novas infecções, o número de mortes, disponibilidade de leitos hospitalares, entre outros”. Um comitê de crise se reúne todos os dias para discutir esses assuntos, disse ele.

O presidente global do Citigroup, Michael Corbat, disse em maio que, diferentemente de alguns de seus concorrentes, o banco não está considerando a opção de deixar os trabalhadores em casa permanentemente após o término da pandemia. O banco com sede em Nova York tem cerca de 200.000 funcionários em todo o mundo.

O Citigroup vendeu sua divisão de varejo no Brasil para o Itaú Unibanco Holding em 2017 por um valor anunciado de R$ 710 milhões. O negócio de private banking, que não foi incluído na venda, foi reestruturado para eliminar serviços como contas bancárias locais e cartões de crédito. O Citigroup também redefiniu sua estratégia para o negócio ao se concentrar em clientes com fortunas maiores, de pelo menos US$ 10 milhões investidos no Citi.

O banco contratou o ex-diretor de gestão de fortunas do Itaú, Eduardo Estefan Ventura, para liderar desde o mês passado seus negócios de private banking no Brasil. O chefe anterior, Cesar Chicayban, foi supervisionar o Citi Private Bank em Nova York e Long Island.

“Queremos expandir nossos negócios de private banking de forma muito agressiva, com foco em nossos produtos offshore”, disse Marangon.

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