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Cinnara Leal reflete sobre a democracia brasileira: “Vivemos, desde a eleição, uma derrota”

Patrick Monteiro
·3 minutos de leitura
Cinnara Leal reflete sobre o futuro político que se apresenta (reprodução / instagram @cinaraleal)
Cinnara Leal reflete sobre o futuro político que se apresenta (reprodução / instagram @cinaraleal)

Não é de hoje que os ataques à democracia pelo presidente da república, Jair Bolsonaro, nos fazem involuntariamente flertar cada vez mais um regime ditatorial já previamente vencido há cerca de 30 anos. Cinnara Leal, que teve a mãe presa e torturada na ditadura militar, contou ao Yahoo! sobre como lê o futuro que se desenha.

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A atriz que estreia nesta semana na série ‘Reality Z’, da Netflix, fala sobre as conversas que tem com a família sobre política. “Na minha casa vivemos, desde a eleição, uma derrota. Estamos ressignificando tudo, nos reconstruindo a partir da realidade. Conversamos muito, minha mãe chora muito, ela não entende como a luta foi em vão. Ela se questiona muito sobre a luta ser tão massacrante, não só pela realidade que ela viveu, mas pelas mães que não enterraram seus filhos. E muito difícil encontrar a delícia de ser brasileiro hoje”, conta ao Yahoo! sobre a história da mãe.

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Emocionada, Cinnara ainda alerta que é preciso resistir. “Não tem outra opção. A luta continua. Ela lutou uma vez, não saímos das ruas desde então. Minha primeira passeata foi a do impeachment do Collor. Não basta estar bom para mim, precisa estar bom para o outro”, ressalta.

Leal aponta que o momento é de atenção. “Agora com todo esse massacre que o racismo nos impôs vindo à tona, para o mundo, estão sendo momentos muito difíceis de nos reconstruir emocionalmente. Você fica apático, alguém destrói o que foi construído a várias mãos. É como tirar o chão de todas as pessoas que lutaram, e para construir esse chão demora. Estamos juntando os cacos”, reflete.

Cinnara também conta que está complicado ver quase todos os dias novas reportagens relatarem a morte de pessoas negras por omissão. “Tenho sofrido muito. Para mim são dias de choro e muita dor. Por mais que estejamos acordando uma parte que ainda esteja dormindo, sabemos o quanto essa luta precisa de estratégia para que ela não seja momentânea.”

Por conta da história de luta da sua família, para ela não é uma possibilidade não se posicionar. “Minha mãe foi presa política, torturada. Não amamentou meu irmão por conta disso. Todas as vezes que é preciso ir para rua por causas justas, políticas e sociais eu estava na rua”, avisa.

Com quase 60 mil seguidores no Instagram ela dispensa o título de influencer atrelado ao de atriz. “Estou aqui para alertar e colocar os fatos. Não posso falar só com as pessoas que acreditam no mesmo que eu. Se não, não temos transformação. Tenho meu posicionamento político e social e não abro mão”, conclui.