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Cinemateca: especialistas alertavam para risco de incêndio desde o ano passado

·4 minuto de leitura

SÃO PAULO — O incêndio que atingiu, no fim da tarde desta quinta-feira (29), o galpão da Cinemateca Brasileira na Vila Leopoldina, Zona Oeste da capital paulista, é uma tragédia anunciada. Em fevereiro de 2020, o local já havia sofrido com um alagamento, e na época, especialistas já alertaram para o risco iminente de um incidente mais grave, devido à má conservação do local, que abrigava material secundário do acervo, como mobiliário, fotografias, livros e folhetos. Ainda assim, durante o alagamento a água danificou 113 mil cópias de DVDs.

A Cinemateca já havia sido atingida por um incêndio em 2016, mas em outro endereço. Em 3 de fevereiro, o fogo destruiu 270 títulos e outras 461 obras que tinham cópia de segurança no prédio principal da instituição, na Vila Clementino, Zona Sul da capital paulista.

Maior centro audivisual da América do Sul, a Cinemateca é responsável pela preservação de 40 mil títulos que contam a história do audiovisual do Brasil desde 1897. São filmes de curta, média e longa-metragens, além de programas de TV e registros de jogos de futebol.

A Cinemateca está fechada desde agosto do ano passado, quando expirou um contrato entre o governo federal e a organização social que administrava o local.

Uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) no mês seguinte estimava em 250 mil o tamanho do acervo de rolos de filmes no edifício da Vila Clementino.

A situação da instituição preocupava ainda mais, desde o ano passado, pelo imbróglio na administração da Cinemateca, que, após muita disputa, passou ao govero federal.

Historiadora e pesquisadora de audiovisual, Eloá Chouzal integra o movimento Cinemateca Acesa, lembra que no dia 7 de agosto vai fazer um ano que as chaves da instituição foram retomadas pela União, numa ação acompanhada pela Polícia Federal. A retomada foi comandada por Helio Ferraz de Oliveira, secretário adjunto da Secretaria Especial da Cultura, o "nº 2" de Mario Frias na pasta.

— Faz um ano que eles estão à frente da Cinemateca. Aí, pagaram as contas de luz atrasadas, apararam a grama, mas por dentro ela continua sem equipe, durante todo este tempo. Não adianta ter a grama cortada e ninguém saber como estão as latas de filme lá dentro.

Em nota, a Secretaria Especial da Cultura afirmou que "lamenta profundamente e acompanha de perto o incêndio" que atingiu um galpão da Cinemateca Brasileira. Segundo o governo federal, o sistema de climatização passou por manutenção há cerca de um mês.

"A Secretaria já solicitou apoio à Polícia Federal para investigação das causas do incêndio e só após o seu controle total pelo Corpo de Bombeiros que atua no local poderá determinar o impacto e as ações necessárias para uma eventual recuperação do acervo e, também, do espaço físico".

O secretário especial da Cultura, Mario Frias, que está em Roma acompanhando o ministro do Turismo, Gilson Machado, na primeira cúpula dos ministros da Cultura do G-20, se pronunciou em suas redes sociais. Frias afirmou ter solicitado à Polícia Federal verificar se o incêndio "foi criminoso ou não": "Tenho compromisso com o acervo ali guardado, por isso mesmo quero entender o que aconteceu". Além de Frias e Machado, integram a comitiva outros servidores do ministério, como o secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, André Porciúncula, a chefe da Assessoria Especial de Relações Internacionais do Ministério do Turismo, Débora Gonçalves.

Diretor de “Feliz ano velho” (1987) e um dos organizadores do movimento SOS Cinemateca, Roberto Gervitz fez, no ano passado, um manifesto endossado por mais de 70 associações, entre elas os festivais de Berlim e Cannes. Na época, ele avisou da gravidade da situação.

— Estamos correndo o risco de viver um novo Museu Nacional. É uma tragédia anunciada — alertou Gervitz na época, em referência ao incêndio na instituição no Rio que transformou em cinza 20 milhões de itens de seu acervo em setembro de 2018.

Em entrevista à Globo News, Gervitz estimou que quatro toneladas da documentação da história do cinema brasileiro, do Instituto Nacional do Cinema, da década de 1960, poderiam ter se perdido.

"Quatro toneladas da história do nosso cinema", lamentou Gervitz. "Há cópias de filmes que já estavam num estado pior de conservação, entre elas cópias do Canal 100, com filmes de futebol".

Estima-se ainda que o galpão reunia 2 mil cópias de filmes, entre eles registros em 35 mm e 16 mm, produzidos com material altamente inflamável. Não seriam, porém, os originais, e sim cópias usadas para exibições.

A situação da Cinemateca não preocupava apenas os brasileiros. No Festival de Veneza do ano passado, o diretor do Festival de Cannes, o francês Thierry Frémaux, lamentou a situação da instituição:

— Quero expressar meu apoio à Cinemateca Brasileira, ameaçada pelo atual governo — disse ele em entrevista coletiva com os diretores dos sete maiores festivais de cinema da Europa.

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