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Cinco sistemas estelares identificados pelo telescópio Kepler podem abrigar vida

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Em um novo estudo, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Washington e da New York University Abu Dhabi encontrou evidências de que cinco sistemas estelares encontrados pelo telescópio espacial Kepler podem ter ambientes amigáveis para a vida. De acordo com o modelo usado no estudo, os sistemas Kepler-34, -35, -38, -64 e -413 têm uma zona habitável permanente, região orbital em que a água pode existir em estado líquido.

Estes sistemas ficam entre 2.700 e 5.900 anos-luz de distância de nós, nas constelações da Lira e do Cisne. Trata-se de um grupo de sistemas interessante: todos têm pelo menos um planeta gigante do tamanho de Netuno ou maior e, entre eles, o Kepler-64 possui pelo menos quatro estrelas orbitando uma à outra em torno de um centro comum, enquanto os outros têm somente duas estrelas.

CapRepresentação do planeta Kepler-64b, que orbita uma estrela dupla, orbitada por outro par de estrelas (Imagem: Reprodução/Haven Giguere/Yale)tion
CapRepresentação do planeta Kepler-64b, que orbita uma estrela dupla, orbitada por outro par de estrelas (Imagem: Reprodução/Haven Giguere/Yale)tion

O estudo foi feito a partir de pesquisas anteriores, que investigaram a existência, localização e extensão da zona habitável permanente em sistemas binários com planetas gigantes. Assim, os pesquisadores trabalharam com equações que usaram a massa, luminosidade, classe e distribuição espectral das estrelas, além de parâmetros dos planetas na órbita delas. Depois, eles observaram nove sistemas estelares binários com planetas gigantes, para determinar se havia zonas habitáveis ali e se poderia existir mundos que abrigassem vida.

Segundo o Dr Nikolaos Georgakarakos, autor correspondente do estudo, como a vida tem mais chances de evoluir em planetas que estão nas zonas habitáveis de seus sistemas, eles investigaram se essa região existia em nove sistemas com duas ou mais estrelas, orbitadas por planetas gigantes. Assim, o estudo mostrou que os sistemas Kepler-34, -35, -64, -413 e, principalmente, o Kepler-38, são adequados para abrigar mundos parecidos com a Terra, com oceanos em sua superfície.

Hoje, é consenso entre os cientistas que a maioria das estrelas possui planetas em sua órbita e, desde 1992, a descoberta de outros mundos acontece de forma cada vez mais acelerada — tanto que mais de 4 mil deles já foram confirmados, e 2.662 foram detectados inicialmente pelo já aposentado telescópio espacial Kepler. Dos planetas descobertos pelo Kepler, entre 2009 e 2018, 12 são “circumbinários”, ou seja, orbitam um par próximo de estrelas.

Além do Kepler, telescópios como TESS também encontraram mundos distantes (Imagem: Reprodução/NASA)
Além do Kepler, telescópios como TESS também encontraram mundos distantes (Imagem: Reprodução/NASA)

O prof. Ian Dobbs-Dixon, co-autor do estudo, explica que já se sabia que sistemas binários de estrelas sem planetas gigantes podem abrigar mundos habitáveis: “o que mostramos é que, em grande parte desses sistemas, planetas parecidos com a Terra podem se manter habitáveis mesmo na presença de mundos gigantes”, relata ele. Os autores mostraram que existem zonas habitáveis nesses planetas, que estão entre 0,4 e 1,5 unidades astronômicas de suas estrelas (cada unidade representa a distância entre a Terra e o Sol).

Por outro lado, o tamanho das zonas habitáveis dos sistemas Kepler-453 e -1661, que também são binários, chega à metade do que se esperava, porque os planetas gigantes desses sistemas causariam instabilidade nas órbitas de mundos possivelmente habitáveis. No fim, o sistema com maior potencial para abrigar vida é o Kepler-38: “esse sistema fica a aproximadamente 3.970 anos-luz da Terra, e é conhecido por conter um planeta do tamanho de Netuno”, finalizou Georgakarakos. Mesmo assim, o estudo confirma que mesmo os sistemas binários com planetas gigantes são bons alvos na busca por algum planeta parecido com o nosso.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Frontiers in Astronomy and Space Sciences.

Fonte: Canaltech

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