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Cinco motivos pelos quais o UFC deveria extinguir seu ranking oficial

Dana White deveria dar fim ao ranking do UFC (Jeff Bottari/Zuffa LLC/Getty Images)

Quem é o melhor lutador de MMA do mundo? Quem deveria disputar um cinturão no UFC? Embora estes questionamentos sempre resultem em debates acalorados nas redes sociais, o ranking oficial do UFC trouxe mais perguntas do que respostas desde seu lançamento, em 2013.

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Após a realização do UFC São Paulo, dia 16 de novembro, o Brasil ficou com 33 atletas presentes entre os 15 melhores das 11 divisões de peso no UFC (o peso pena feminino segue sem ranking definido anos após sua criação, fruto do esvaziamento da categoria).

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Sites especializados sempre fizeram listas dos 10 ou 15 melhores de cada peso, e seguirão fazendo. Não há nada de errado nisso. O problema, no entanto, é quando uma empresa como o UFC decide fazer seu ranking oficial nos moldes que se mostraram um fracasso há quase sete anos.

Listo, abaixo, os motivos pelos quais o ranking do UFC deveria deixar de existir.

  • O ranking foi criado com a intenção de educar o público leigo, após o início do acordo de transmissão da FOX nos Estados Unidos, sobre quem era cada atleta e, com isso, trazer um ar de glamour a lutas que talvez não tivessem tanto apelo mercadológico em TV aberta.

Nessa linha de raciocínio, por exemplo, um telespectador poderia se interessar mais por lutas como Curtis Blaydes x Shamil Abdurakhimov e Brandon Moreno x Matt Schnell ao descobrir que eles estão ranqueados entre os 10 melhores de suas categorias de peso. A medida, porém, trouxe pouco retorno efetivo à franquia, visto que o UFC caminha cada vez mais na direção do entretenimento, cenário no qual rankings possuem pouca ou nenhuma relevância.

  • À época de seu lançamento, o UFC convidou jornalistas especializados de MMA para gerir seus rankings individuais. A média de cada lista seria apresentada ao público na forma de ranking oficial. O problema, no entanto, é o conflito de interesses. Como o ranking poderia definir os futuros das carreiras de atletas profissionais, jornalistas não quiseram voz nesta questão.

Os principais membros da imprensa de MMA recusaram o convite, o que resultou em uma lista bastante questionável. O ranking da companhia é elaborado, hoje, por apenas 14 jornalistas, sendo que alguns deles sequer cobrem MMA diariamente. Não era raro encontrar, aliás, atletas inativos colocados à frente de lutadores claramente superiores.

  • Outro grande problema com o ranking surgiu no fim de 2014, quando a empresa anunciou o acordo com a Reebok. A partir daquele momento, atletas estariam proibidos de expôr as marcas de seus patrocinadores dentro do octógono. Como “recompensa”, receberiam um valor do UFC por usarem o uniforme da empresa de equipamentos esportivos.

A decisão se tornou ainda mais injusta quando Lorenzo Fertitta, dono da companhia na época, anunciou que os valores repassados aos atletas variariam de acordo com suas colocações no ranking. Nesse caso, a opinião dos jornalistas definiria quanto cada esportista seria pago. Após muitas críticas, o UFC mudou o formato para o esquema que segue vigente até hoje, pagando conforme o número de lutas na franquia.

  • A existência de um ranking dá ar de meritocracia a um esporte que, no fundo, é um negócio. O UFC nunca seguiu à risca o que mostra o ranking, o que gerou diversas críticas quando, por exemplo, o então campeão peso-médio (84kg) Michael Bisping foi escalado para defender seu cinturão contra Dan Henderson, que na época não aparecia entre os 10 melhores da divisão.

Seria uma afronta não colocar Khabib Nurmagomedov contra Tony Ferguson pelo título dos leves, mas a possibilidade de uma lucrativa revanche com Conor McGregor poderia pesar na hora de definir os rumos da divisão até 70kg.

  • Embora o UFC não leve os rankings em consideração na hora de marcar as lutas, a listagem oficial resulta, em muitos casos, na negativa de atletas. Não é raro ver atletas recusarem oponentes por estarem fora do top 15, o que gera um congestionamento no topo da categoria que impede a entrada de novos nomes. Elizeu “Capoeira”, por exemplo, sofreu com isso após enfileirar atletas com menos expressão no UFC, enquanto Charles “do Bronx" ainda aguarda uma nova chance contra os melhores do peso leve.

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