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Cinco maiores bancos concederam R$ 265,6 bi em crédito no primeiro mês da crise

Talita Moreira
Foto: Viviane Moos/Corbis via Getty Images

Os cinco maiores bancos do país — Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa — concederam R$ 265,6 bilhões em crédito entre 16 de março e 17 de abril, primeiro mês da crise gerada pelo coronavírus. Os dados são da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e incluem novas operações de empréstimos e financiamentos, renovação de contratos e prorrogação de parcelas.

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Não há dados para comparação com exatamente o mesmo período de 2019, mas, em relação ao mês de março do ano passado, a cifra representa um crescimento de quase 22%.

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“Os números demonstram que não está havendo empoçamento de liquidez. Ao contrário, os bancos concederam mais crédito a pessoas físicas e pessoas jurídicas, apesar do aumento do risco e do custo de captação”, disse ao Valor o presidente da Febraban, Isaac Sidney Ferreira.

De acordo com ele, as instituições financeiras aumentaram a concessão de recursos, refletindo as medidas anunciadas pelo Banco Central para reforçar a liquidez e pelos próprios bancos, que estão prorrogando os prazos dos contratos. Informações divulgadas pelo BC na semana passada já indicavam uma alta no volume de operações.

No intervalo de 30 dias até 17 de abril, os bancos concederam R$ 176,9 bilhões em crédito novo. Desse total, R$ 101,05 bilhões foram para grandes empresas, muitas das quais procuraram sacar linhas pré-aprovadas para reforçar o caixa no início da crise.

Executivos dos bancos já afirmaram que a procura das maiores companhias por recursos levou a um estreitamento momentâneo de liquidez e a um aumento nas taxas de juros cobradas desse segmento. De acordo com eles, a situação já foi normalizada.

As concessões de novas operações para pessoas físicas, nas modalidades consignado, financiamento de veículos, crédito imobiliário e crédito pessoal, totalizaram R$ 35,965 bilhões no mês encerrado em 17 de abril. As renovações para o segmento foram de R$ 23,819 bilhões.

Empresas médias contrataram R$ 16,962 bilhões e renovaram outros R$ 13,215 bilhões. Os empréstimos a micro e pequenas empresas somaram R$ 20,451 bilhões e as renovações, R$ 18,731 bilhões. No crédito rural, o crédito novo foi de R$ 2,510 bilhões e as renovações, de R$ 194 milhões.

Além dessas operações, os bancos renegociaram 3,8 milhões de contratos de pessoas físicas e jurídicas com pagamentos em dia, que têm saldo devedor de R$ 230,6 bilhões. De acordo com a Febraban, as parcelas suspensas até agora somam R$ 22,2 bilhões. Os prazos de carência vão de 60 a 180 dias, conforme o banco e a operação.

A soma de crédito novo, renovações de contratos, parcelas postergadas e o saldo devedor das repactuações é de R$ 474,1 bilhões, conforme o levantamento.

Segundo Ferreira, além do dinheiro propriamente novo, as renovações e as repactuações também representam caixa disponível para os clientes dos bancos, por isso também são calculadas como concessão. “Em síntese, o crédito não está sendo represado nos bancos”, afirmou.

Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban, disse que renovações e prorrogações de parcelas também são concessões, já que nessas operações os contratos são liquidados e refeitos.

O presidente da Febraban acrescentou que todos os segmentos de clientes têm sido contemplados na oferta de crédito. Colocando na conta dinheiro novo, renovação e prorrogações, as grandes empresas ficaram com 61% dos recursos, em linha com o patamar apresentado em março do ano passado.

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