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Cientistas treinam abelhas para fazer teste rápido de Covid-19

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*arquivo** SÃO PAULO - SP - BRASIL, 23-05-2016: Abelhas de apicultor caseiro em SP.  (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
*arquivo** SÃO PAULO - SP - BRASIL, 23-05-2016: Abelhas de apicultor caseiro em SP. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo de pesquisadores da Universidade de Wageningen, dos Países Baixos, e da startup InsectSense diz ter treinado abelhas para esticarem a língua ao sentirem o cheiro do coronavírus Sars-CoV-2 em amostras infectadas pelo patógeno. Assim, os insetos poderiam atuar como um tipo de teste rápido e barato para detectar a Covid-19 na fase aguda, defendem os cientistas.

Todos os dias, milhares de pessoas ainda são infectadas pelo vírus no mundo todo, apesar do início da distribuição das vacinas eficazes contra a doença. Diversos países, especialmente os mais pobres, não contam com quantidades suficientes do imunizante para suas populações. Testar os doentes e isolá-los rapidamente é uma maneira já consagrada de evitar que a Covid-19 se espalhe.

As abelhas, assim como os cachorros, possuem um olfato extremamente aguçado. Os insetos conseguem encontrar uma determinada flor a quilômetros de distância apenas por sentirem o seu aroma.

As mudanças metabólicas causadas pelo coronavírus produzem um cheiro específico (como acontece com várias outras doenças). O que os pesquisadores fizeram foi educar os insetos para sinalizar a presença do cheiro do Sars-CoV-2.

Os cientistas usaram 150 abelhas no experimento. No protocolo, toda vez que uma amostra de secreção de visons infectados pelo vírus era aproximada da abelha, o inseto recebia uma solução de água com açúcar, e esticava a língua para receber o líquido doce. É com a língua, uma estrutura muito fina, que a abelha coleta o néctar das flores.

A ação foi repetida várias vezes, até que as abelhas ficaram condicionadas a estender a língua toda vez que sentissem o cheiro do coronavírus, esperando pela água com açúcar mesmo que ela não viesse. De acordo com um comunicado publicado pelos pesquisadores, o treino leva alguns minutos para ser completo.

As abelhas não são infectadas pelo coronavírus, isto é, elas não desenvolvem a Covid-19. Mas ainda não se sabe se elas podem carregar o vírus e infectar outros animais ou pessoas. Após a realização dos experimentos as abelhas foram sacrificadas para evitar os riscos de espalhar a doença.

No comunicado, os cientistas afirmam que os insetos foram capazes de distinguir as amostras de animais infectados das de animais saudáveis com muito poucos resultados falsos, mas não especificaram a porcentagem de precisão que teria um teste feito usando os animais. A mesma performance foi obtida em experimentos posteriores, realizados com amostras de secreções humanas, dizem os pesquisadores.

"Abelhas estão disponíveis globalmente, então a única coisa de que as pessoas precisam é uma máquina para treinar os insetos. A InsectSense já desenvolveu protótipos de um aparelho que pode automaticamente treinar várias abelhas ao mesmo tempo e um biossensor que coloca as abelhas para fazer o diagnóstico. Essa tecnologia pode ser um sistema de diagnóstico muito efetivo para países mais pobres que enfrentam dificuldades no acesso a infraestrutura e tecnologias", escrevem os pesquisadores.

Em um artigo publicado em julho de 2020 na revista científica BMC Infectious Diseases, cientistas de instituições da Alemanha demonstraram que cachorros podem identificar a presença do Sars-CoV-2 em amostras de pessoas infectadas com uma precisão de 94%. Os animais foram treinados durante uma semana antes da realização do experimento.

É muito improvável que os animais substituam os testes laboratoriais, feitos com amostras de secreção nasal ou com saliva, e que são precisos para indicar a infecção na fase aguda. Além disso, os testes com os bichos como ferramenta de detecção de doenças carecem de mais dados.

Os estudos que colocam cães e abelhas para cheirar o Sars-CoV-2, porém, demonstram que há formas alternativas e baratas de levar ferramentas potentes de combate ao vírus até os lugares mais pobres e precários.